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Quem são as novas startups ‘camelo’?

Especialistas falam sobre diferentes impactos da crise nas contrutechs e proptechs

21/05/2020
Por Daniel Caravetti

“Esqueçam os unicórnios. Startups devem ser camelos”, garantiu o investidor global Alex Lazarow, em artigo publicado na Entrepreneur. A frase se refere à nova missão das empresas durante a crise causada pela Covid-19, baseada em resistir aos piores cenários, assim como faz a espécie nativa de áreas secas e desérticas da Ásia, que sobrevive um longo período sem beber água e deu nome ao novo chavão do ecossistema de startups.

Queda nos investimentos?

Rodeados de insegurança econômica, os investidores estão muito mais cautelosos e as startups podem conviver com uma seca de investimentos, como explica o especialista em construtechs e proptechs Marcus Anselmo, co-fundador da Terracotta Ventures e executivo responsável pelo MITHUB.

“O investidor-anjo, que normalmente se foca no chamado early stage, está muito mais conservador e a taxa de conversão, que sempre foi baixa, agora é menor ainda. Temos, por exemplo, uma rede chamada Construtech Angels, que é um pequeno grupo de investidores. Tenho conversado com eles e garantiram continuar investindo, mas agora em processos mais estruturados”, diz.

Nos passos seguintes do investimento-anjo, conhecidos como Seed e Series A, captar recursos também não deve ser uma tarefa fácil: “Os investidores também estão mais criteriosos, focando primeiramente no portfólio, ou seja, nos negócios que já investiram anteriormente, a fim de garantir a sobrevivência deles”, complementa.

Outro especialista, Eduardo Castro, COO da EqSeed, fintech que realiza rodadas de investimento online em startups, também enxerga a mudança, motivo que fez a empresa interromper temporariamente o lançamento de novas rodadas: “O volume de investimentos diminuiu. Por planejamento estratégico, neste tempo de pandemia estamos analisando o mercado e ainda não abrimos nenhuma nova rodada”.

“De qualquer maneira, tem uma rodada lançada antes da crise que continua aberta. Inclusive, fomos surpreendidos com investidores que já estavam na rodada e aumentaram seu ticket, o que mostra que o mercado não morreu. Por isso, estamos olhando para os mercados e as empresas que têm potencial neste momento para abrir novas rodadas”, acrescenta.

Será possível sobreviver com os aportes financeiros?

Neste cenário de escassez de investimentos, a situação é mais grave para as startups que ainda não adquiriram independência financeira e contam com os aportes como sua principal fonte de renda. E isso não se restringe apenas às pequenas, sendo os unicórnios WeWork e Uber – que chegaram a alcançar valores de mercado de 47 e 75 bilhões de dólares, respectivamente – dois exemplos de empresas que ainda não obtiveram balanços no azul.

“Devemos ver uma queda no valuation, que é algo que estava subindo absurdamente nos últimos anos. Existiam startups com dez vezes o valor do seu faturamento anual. Modelos que desembolsam dinheiro em marketing para atrair pessoas gratuitamente devem ter muito mais dificuldade de captar investimentos”, garante Anselmo.

Castro também fala sobre a valuation, lembrando que recentes valorizações têm sido exclusivas para empresas que entregam valor em meio à pandemia, como a plataforma de conferência remota Zoom, que teve suas ações valorizadas em 160% na Nasdaq: “Sabemos que o mercado de startups vai ter uma reprecificação. Já existem descontos de 20% nos valores de startups estrangeiras e somente raríssimas exceções têm se valorizado”.

Quem são os ‘camelos’?

Enquanto startups que dependiam muito de aportes financeiros terão dificuldades, aquelas que já desenvolveram um caminho próprio de sobrevivência têm maiores chances de superar a crise. Além de apresentarem um balanço financeiro favorável, elas devem ser prioridade no ponto de vista dos investidores por significarem um investimento mais seguro.

“Neste momento, o investidor não está interessado em startups que queimam o caixa. O foco é nas empresas orgânicas, sustentáveis, nas quais ele saiba que seu dinheiro está sendo usado efetivamente para alavancar o negócio e não para sustentá-lo. No geral, a situação deve favorecer negócios com empreendedores mais experientes, que começam com capital próprio e buscam investimento somente em um momento mais maduro”, afirma o co-fundador da Terracotta.

Castro segue a mesma linha de raciocínio: “Os investidores que estão capitalizados continuam procurando boas oportunidades e miram empresas que estejam planejadas para um cenário mais pessimista. Tendo a startup bons fundamentos, clientes e um caixa forte, há mais segurança para investir. Hoje, o investidor quer saber como seu dinheiro será usado, além de entender a carteira de faturamento”.

Pensando nisso, inclusive, o COO da EqSeed garante que a empresa tem entrado em contato com startups parceiras para explicar o novo perfil do investidor. Para a fintech, startups devem contar com uma reserva de, no mínimo, 12 meses.

Mesmo percebendo que o mercado está em busca de empresas orgânicas, o co-fundador da Terracotta Ventures ressalta que essas startups não devem abdicar da captação de recursos, o principal incentivo para escalar o negócio: “Tratando-se de tecnologia, somente sobreviver de forma orgânica, sem almejar a escalabilidade, pode ser mortal”.

“Por isso, o grande ponto para o sucesso é a flexibilidade – sobreviver organicamente e buscar investimentos para escalar o negócio. Como em todos os mercados, existem negócios semelhantes e concorrentes. Quem tiver fôlego para superar a crise, terá maior demanda no médio e longo prazo”, completa Anselmo.

Vale lembrar que, quanto aos investimentos, algumas startups do setor imobiliário, como Housi e QuintoAndar, estão ampliando os seus horizontes. Trata-se de um novo movimento que visa a captação de recursos através de fundos.

“Atualmente, as taxas de juros estão baixas e muitas pessoas estão buscando novos investimentos. Assim, os fundos imobiliários passam a ser uma alternativa, até porque o investidor sabe que o seu dinheiro está sendo aplicado em ativos. Outras startups também podem estruturar este modelo de atrair capital através de imóveis, seja para financiamento à construção, venda ou locação”, diz o executivo da Terracotta.

Onde estão os ‘camelos’ dos setores de construção e mercado imobiliário?

O panorama descrito para o ecossistema de startups, no geral, também se aplica às construtechs e proptechs, de acordo com o co-fundador da Terracotta Ventures. Entretanto, o especialista entende que, de acordo com a atuação, o impacto nas empresas deve ser diferente e, por isso, indica quais segmentos podem formar mais ‘camelos’ durante a crise.

“Embora haja desafios quanto à inadimplência, tecnologias que têm impacto imediato em ajudar o processo de digitalização de venda, como tours virtuais e feiras digitais, estão sendo impactadas positivamente. No médio e longo prazo, também vejo muito potencial nas empresas que digitalizam as imobiliárias e os canteiros de obras”, diz.

Em relação às startups que devem ter mais dificuldades, Anselmo acredita que podem ser as que atuam diretamente na obra ou com serviços em geral. “Na construção propriamente, os orçamentos despencaram, pois houve o adiamento de lançamentos. Já as reformas devem ser adiadas, uma vez que as pessoas estão poupando gastos. No caso de empresas estruturadas, que contam com uma boa carteira de clientes, elas podem enxugar a operação e se manter”.

Para finalizar, o especialista também aposta que a crise causada pela disseminação do novo coronavírus deve alterar modelos na cadeia de suprimentos, em virtude da baixa no movimento das lojas.

“Vejo muitos fornecedores pensando em formas de chegar diretamente ao consumidor. Por isso, a situação pode ressignificar a relação entre fabricantes e varejo através do conceito de omnichannel”, conclui Anselmo, citando a estratégia de conteúdo multicanal que visa melhorar a experiência do usuário.

Leia também: Transformação digital: evolução árdua para as imobiliárias
Número de construtechs e proptechs cresce 23% em 2020

Foto: Wallpaper Maiden

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