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Modal de transporte a vácuo: a próxima grande revolução para o setor imobiliário

Se as distâncias não tiverem mais importância, qual a necessidade de morar nos grandes centros? Leia a entrevista e entenda

29/01/2020
Por Henrique Cisman

São muitas as tecnologias que vêm revolucionando a economia mundial, das quais boa parte se encaixa nos projetos imobiliários. Como provedora de conhecimento em todo o Brasil, a Smartus fez uma série de encontros em 2019 colocando em pauta inovações como blockchain, inteligência artificial, imersões virtuais, IoT e outras diversas tecnologias que vieram para ficar.

Agora, uma startup norte-americana começa a materializar um projeto iniciado em 2013 num relatório desenvolvido pelo empresário Elon Musk, fundador da Tesla. Trata-se de um novo e revolucionário modal de transporte a vácuo capaz de conduzir pessoas e mercadorias com velocidade inédita na história da humanidade.

Estamos falando de uma viagem de São Paulo a Campinas (100 km) realizada em 6 minutos (isso mesmo, seis minutos). O projeto mais avançado da startup está em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, ligando-a ao município de Al Ain. O trecho tem 147 km e a previsão da empresa é iniciar as operações de ponta a ponta em 2023. Os primeiros 5 km serão entregues em funcionamento até o final do ano que vem.

Mas o que isso tem a ver com o mercado imobiliário? Tudo! Basta pensar: com deslocamentos tão velozes em distâncias consideráveis, talvez não faça mais qualquer sentido morar nos grandes centros urbanos, como São Paulo, onde hoje estão as melhores oportunidades de emprego, os melhores serviços e boa infraestrutura, mas onde também os custos de vida são maiores e há problemas como trânsito, violência, poluição etc. 

O co-fundador e CEO da Hyperloop Transportation Technologies (Hyperloop TT), Dirk Ahlborn, vai palestrar no Smartus Proptech Summit 2020 no dia 19 de março.

Para entender melhor o projeto e as possíveis consequências para o setor imobiliário brasileiro e mundial, conversamos com o especialista em inovação estratégica Ricardo Penzin, Head of Latin America da Hyperloop TT. Confira a seguir os melhores trechos da entrevista.

Smartus: Vocês vão participar do Smartus Proptech Summit, que trata de tecnologia e inovação, muito alinhado com o projeto da Hyperloop. Primeiramente, gostaria de entender como esse projeto está sendo desenvolvido, onde será implantado inicialmente e se existe uma perspectiva para chegar ao Brasil.

Ricardo Penzin: A empresa foi constituída em 2013 e de lá para cá saímos de um documento – um relatório [do Elon Musk] – para a construção efetiva de um novo modal de transporte. Estamos falando que em 6 ou 7 anos estaremos construindo um novo sistema de transporte que vai revolucionar a mobilidade mundo afora. A Hyperloop é uma startup de tecnologia, e não uma empresa de infraestrutura, e está localizada em cerca de 40 países. Hoje temos 12 acordos globais assinados para construção, sendo o mais adiantado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

Qual a extensão dessa primeira linha? 

Ela tem 147 quilômetros e a expectativa é entregar os primeiros 5 quilômetros em 2021, já em funcionamento comercial. De ponta a ponta, pretendemos terminar o projeto em 2023. 

Nas demais cidades onde já existe acordo, o início é concomitante?

Depende muito. Por exemplo, acabamos de lançar um estudo nos Estados Unidos que mostrou a viabilidade técnica e econômica do projeto para a rota Chicago – Cleveland – Pittsburgh. Foi tudo feito junto com o governo norte-americano e já temos o estudo pronto, formalizando a viabilidade do projeto. Agora, estamos fazendo estudos de impacto ambiental. Depois, começa o projeto executivo para início da obra. Então, o tempo depende muito do estágio de maturidade dos projetos em cada país, o que faz com que não necessariamente a construção ocorra concomitantemente. Hoje, Abu Dhabi é o mais evoluído. Nos EUA, existe uma perspectiva – e não previsão – de concluir o projeto em 2029. 


Vídeo institucional mostra evolução dos meios de transporte

Qual a principal mensagem que deve ser passada no Smartus Proptech Summit, considerando o público formado por fundadores, presidentes, sócios e CEOs de empresas do setor imobiliário, ainda visto como muito conservador? 

Não posso falar pelo palestrante [da Hyperloop TT, Dirk Ahlborn]. Agora, para mim, esses mercados que têm uma característica mais tradicional, menos inovadora (sem o costume de olhar para novas tecnologias), são os que correm mais risco de terem algum tipo de disrupção. Por exemplo, no mercado de Real Estate, a valorização do imóvel está diretamente relacionada com a sua localização. Dependendo do local, o preço do m² é mais barato ou mais caro. Quando você cria um modal de transporte que elimina distâncias, por exemplo, realizar o trajeto Campinas – São Paulo em 6 minutos (perspectiva real), interessa aonde você vai morar? 

Não é necessariamente o negócio em si, a especulação imobiliária em si, mas quais são as tecnologias correlatas que podem impactar de alguma maneira esse negócio. Este é o recado que eu acredito ser mais relevante para o público porque, na minha opinião, eles precisam entender que isso está acontecendo. É uma realidade absoluta.

Esse novo sistema de transporte altera absurdamente a questão da mobilidade. Quais são os impactos que você enxerga, não somente no Brasil, mas no mundo? O preço do m² é muito mais valorizado em áreas centrais, próximas a empregos e serviços. Isso vai acabar com a Hyperloop?

A Hyperloop tende a criar novas áreas imobiliárias. Não sei te dizer se isso vai acabar ou não, é uma pergunta muito arriscada de responder. Mas o impacto é direto. É possível morar em Campinas, com uma qualidade de vida melhor, menor custo, e em 10 minutos estar em um estação de metrô em São Paulo.

Isso tende a descentralizar a moradia?

Cria novas oportunidades para quem vai comprar ou construir um imóvel. Hoje, uma incorporadora pode comprar uma fazenda a 200 km de São Paulo, construir um empreendimento e conectá-lo a uma estação de metrô na capital paulista, como, por exemplo, Pinheiros. A pessoa chega na estação em 5, 6 ou 10 minutos, pega outro transporte e ainda vai chegar mais rápido do que se morasse em outra região de São Paulo e fosse de carro ou ônibus, tendo ainda uma qualidade de vida infinitamente maior. Vale lembrar que estamos falando de exemplos, não existe um projeto concreto ainda no Brasil. De uma forma conceitual, estou dizendo o que deve acontecer no futuro.

Sei que é difícil de responder, mas se você pudesse estimar um prazo para o Brasil, qual seria? Cerca de 30 anos?

Não. Na minha opinião, leva no máximo 10 anos para chegar aqui. Isso não é uma perspectiva da empresa, mas minha, do Ricardo Penzin, pessoa física, representante da empresa no Brasil.

Cápsula usada para teste da Hyperloop em Toulouse, na França. Foto: Hyperloop TT

Vocês entendem começar por onde? São Paulo? Rio? 

O Brasil é muito grande, né? Estamos trabalhando também a América Latina, então as perspectivas são razoáveis, porque o sistema também transporta cargas, não só pessoas. As rotas podem variar entre cargas e pessoas no Brasil e na América Latina inteira, afinal, existem vários corredores com demanda suficiente para isso. Poderíamos citar, no mínimo, 10 rotas que seriam interessantes para ter um corredor. No caso de carga, por exemplo, Itajaí – Paranaguá – Curitiba – São Paulo, seria um corredor extremamente rentável. De passageiros, Campinas – São Paulo seria muito rentável.

Esse transporte vai ser viável para todas as pessoas ou será como o avião há 20 anos?

É super acessível, pois tem um custo de operação muito baixo. Não tenho o número para o Brasil, mas uma rota São Francisco – Los Angeles [hoje] seria no valor de 30 dólares. Hoje, a passagem (ônibus/trem) custa cerca de 200 dólares.

Pode dar mais detalhes sobre o funcionamento desse novo modal?

É bastante relevante o fato de termos geração de energia própria. Somos um modal sustentável que não consome e nem tira energia, e sim gera a sua própria.

Como?

Imagine que a parte superior dos tubos é toda de painéis solares, como um telhado de painel solar, simples e eficiente. Como nosso sistema de propulsão não necessita ser eletrificado, como ocorre em um trem de alta velocidade tradicional, somos capazes de ser autossuficientes energeticamente. O tubo é a vácuo, a fim de eliminar resistência, e a propulsão é magnética. Hoje, em um vôo tradicional, o que acontece? O avião está basicamente batendo de frente com uma parede de água, o que desgasta muito a aeronave. Então, manutenção e combustível são os maiores gastos desse tipo de transporte. Eliminando a manutenção, já se tira um custo enorme da operação. 

Outra coisa: não é necessário subsídio do governo, como ocorre com todos os modais de transporte do mundo. O sistema Hyperloop já é certificado pela Munich Re, a maior empresa de seguros do mundo. Somos a única empresa que já entregou, na União Europeia, o primeiro manual de segurança de um sistema hyperloop do planeta. Ou seja, já estamos fazendo a regulação do sistema junto à União Europeia.

Para finalizar, em Tolouse, na França, já temos um tubo construído em operação, com o vácuo funcionando e a cápsula de tamanho real pronta para fazer os testes de segurança, que devem começar no 2º semestre de 2020.


Projeto de testes está prestes a ser iniciado

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