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Intenção de compra de imóveis volta ao patamar pré-pandemia

Especialista prevê fila de lançamentos até o fim do ano

Daniel Caravetti

04/09/2020

Em agosto, a intenção de compra de imóveis voltou aos patamares pré-pandemia, de acordo com estudo realizado pela Brain Inteligência Estratégica, em parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). Considerando os últimos dois meses, o desejo de adquirir uma propriedade dobrou.

Elaboração: Brain/CBIC

O temor inicial da pandemia gerou uma queda brusca na intenção de compra. Porém, na medida em que o novo cenário foi sendo absorvido, a confiança do consumidor foi recuperada”, explica Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da Brain, em entrevista à Smartus.

Sobre a intenção de compra, inclusive, apenas 10% dos respondentes avaliaram que a pandemia afetou o tipo de imóvel desejado, número semelhante aos meses que antecederam agosto. O especialista lembra, contudo, que a proporção aumenta conforme o poder aquisitivo.

“Considerando quem tem renda mensal acima de R$ 14 mil, 40% afirmam que a pandemia afetou o tipo de imóvel procurado. Isso ocorre porque são pessoas com maior opção de escolha, já que têm flexibilidade financeira e também de estilo de vida. Podem decidir, por exemplo, se vão trabalhar à distância ou não”, diz.

Neste sentido, o especialista considera que as pessoas buscam maior qualidade de vida, o que não se trata de uma condição uniforme. “O bem-estar pode ser associado a diferentes imóveis, como uma casa, uma chácara, uma cobertura em uma metrópole ou um apartamento afastado”.

Lançamentos imobiliários

Se o primeiro semestre deste ano apresentou uma queda de quase 44% no número de unidades lançadas, as vendas tiveram baixa de apenas 2%, o que confirma o apetite do mercado imobiliário mesmo diante da pandemia. Os dados são da CBIC e foram comparados ao mesmo período de 2019. 

Neste cenário, o sócio da Brain entende que as incorporadoras devem lançar muitos empreendimentos neste final de ano: “O estoque, que já era pequeno, ficou ainda menor. Com a procura por imóveis mantida, pode ocorrer, de setembro a dezembro, uma fila de lançamentos. Inclusive, creio que pode não dar tempo de lançar tudo o que estava previsto”.

A baixa no estoque, contudo, pode elevar os preços dos imóveis em cerca de 5%, de acordo com o especialista, que se baseia na lei da oferta e procura. Quanto à alta nos insumos registrada nos últimos meses, Araújo acredita que seja um movimento passageiro e incapaz de contribuir com a alta nos preços.

Em relação aos segmentos, o sócio-diretor da Brain considera que o de baixa renda, destaque positivo no primeiro semestre, seguirá liderando o mercado. No entanto, aposta em uma maior participação de outros perfis neste final de ano.

“Por trabalhar com imóveis de necessidade e contar com financiamento direto de subsídio do governo, o segmento de baixa renda deve seguir forte. Porém, creio que os de média e alta renda recuperem parte do mercado que ficou perdido. Com a queda nos juros, muitas pessoas que tinham dinheiro no banco estão buscando a compra de imóveis como forma de investimento”, afirma.

Incorporadoras se adaptaram à pandemia?

Com a chegada da pandemia, os projetos imobiliários tiveram de ser revistos pelas incorporadoras e adaptados às novas necessidades que surgiram. Sobre isso, o sócio da Brain compartilha duas mudanças que podemos ver nos lançamentos deste semestre.

Imagem ilustrativa de um espaço delivery (Foto: The Gallery Art Residence)

“Um item que deve ser colocado em prática e tende a permanecer é o espaço para recebimento e armazenamento de mercadorias. Significa ter um espaço que gera mais segurança, mais velocidade e mais praticidade. Essa mudança deve ser vista  em empreendimentos de todos os segmentos”, garante.

Outro aspecto citado pelo especialista é a inclusão de coworkings nas áreas comuns. Inclusive, a pesquisa realizada pela Brain mostra que, após um receio no início da pandemia, as pessoas têm se sentido mais confortáveis em compartilhar espaços.

Elaboração: Brain/CBIC

Além dos projetos, as incorporadoras também reviram a estratégia de comercialização na pandemia, uma vez que o cenário de isolamento social diminuiu as visitas nos stands de venda. Neste sentido, o ambiente digital se consolidou como uma ferramenta fundamental.

“As pessoas já se acostumaram com a busca online de imóveis. Inclusive, boa parte da rejeição à venda digital não era do consumidor, mas do corretor e do incorporador. Tinham receio de como seria, mas se viram obrigados a utilizar os meios digitais e agora entendem a importância desse recurso. Foi um grande amadurecimento do mercado”, conclui Araújo.

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