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Poucas perguntas, muitas diretrizes para o planejamento de obras

Startup quer automatizar o processo e praticamente eliminar empresa-mãe; confira entrevista com o fundador

19/03/2020
Por Henrique Cisman e Daniel Caravetti

Muitas empresas perdem espaço simplesmente porque não conseguem acompanhar o desenvolvimento das concorrentes. Com muito menor frequência, empresas deixam de existir porque foram superadas pelas próprias crias, como espera o empresário Antônio Rezende, fundador e CEO da Eunos Inteligência de Obra. 

Em 2017, ele e o sócio Nelson Linhares criaram a startup Gero Obras, uma spin-off da Eunos. A empresa-mãe é especializada em planejar e gerenciar obras, atuando junto às incorporadoras e construtoras desde a escolha do terreno, estudo de viabilidade do projeto e planejamento executivo da obra até o controle da mesma, definindo previamente custos, prazos e efetivo necessário.

De acordo com Rezende, o projeto Gero Obras busca automatizar grande parte dessa jornada de planejamento e acompanhamento da obra, tornando-se um concorrente de peso para a própria Eunos. “É um spin-off da Eunos, mas foi criado para acabar com ela. No final das contas, é isso, com as devidas ressalvas”.

Para entender exatamente como a ferramenta funciona e a lógica por trás da criatura superar o criador, entrevistamos Antônio Rezende. Confira os principais trechos a seguir.

Smartus: O Gero é a Eunos digital?

Antônio Rezende: Gero é um spin-off da Eunos, mas foi criado para acabar com ela. No final das contas, é isso, com as devidas ressalvas: um projeto customizado, específico para um cliente, não se consegue fazer de maneira 100% digital, a princípio. A questão é que existem quinhentas opções de programas de controle de obras – e conheço algumas excelentes – mas nenhuma faz o planejamento automatizado. 

O Gero é mais que uma ferramenta de orçamento. Ele faz meia dúzia de perguntas e as respostas geram uma rede CPM (Critical Path Method, ou Método do Caminho Crítico) com cinco mil tarefas. Portanto, é um planejador de obras automático. Para qualquer obra de construção civil, o engenheiro responde a algumas perguntas e a ferramenta gera um planejamento executivo da obra, incluindo efetivo médio necessário, custos diretos e indiretos, prazo ideal e desembolsos por mês ou por fases.

Isso necessariamente precisa ocorrer no início do projeto, correto?

Sim. Em nossa visão, a engenharia começa antes. O problema é que a nossa academia, até pouco tempo, só formava engenheiro para ir à obra e empilhar tijolos. 

Como é possível dar tantas diretrizes com apenas seis perguntas?

Por conta dos 20 anos de experiência da Eunos e todo background de engenharia. Essa metodologia já foi testada: só na Eunos, soma um R$ 1,25 bilhão em vgv (valor geral de vendas). Criamos um algoritmo que parametriza toda uma infinidade de variáveis. A variação de custo entre o orçamento do Gero – com seis perguntas – e o orçamento elaborado dentro da empresa gira em torno de 1,5% a 1,8% de desvio, margem de erro.

Tivemos um caso específico de uma empresa cujo departamento de orçamentos custava R$ 200 mil por mês; fazia cotação de vinte orçamentos prévios mensalmente, de engenharia, mas fechava apenas dois clientes. Com Gero, os mesmos vinte projetos são feitos em um dia com o cliente respondendo a seis perguntas. 

Isso gera uma redução absurda de custos…

Sim, a primeira redução é a de custos para fazer esse orçamento preliminar – não digo que substitua uma equipe de engenharia, mas consegue efetuar em cinco minutos. O número de perguntas também é variável, depende da necessidade do cliente.

Uma pergunta que respondemos com frequência é sobre o tipo de fundação, que desconhecemos. Sim, isso é fato, mas sabemos que o custo [da fundação] fica entre 5% a 7% do total do projeto; se estourar isso, tem que mudar a solução para a obra se tornar viável.

Serve para qualquer tipo de empreendimento?

Ele nasce no ramo residencial, porque é o segmento no qual temos maior expertise e banco de dados. No modelo que atendemos hoje (mais de sete pavimentos e menos de cinquenta), falamos em 85% do mercado residencial do Brasil. Mas não existe qualquer impeditivo para criar o Gero Hospital, Gero Rodovia, Gero Shoppings, Gero qualquer coisa. De origem, ele é um gerenciador de projetos responsável por sequenciar tarefas e criar o caminho crítico da obra. Portanto, pode ser aplicado em qualquer projeto.

E a plataforma é gratuita?

Hoje, é totalmente gratuita, pois queremos entender melhor o mercado e quem se interessa pelo Gero. Queremos entender como funciona a cultura de cada empresa, lembrando que ele não serve só para construtoras: temos demanda de fundos imobiliários, que aplicam dinheiro na obra sem entender de engenharia. Nesse sentido, precisam de uma ferramenta de controle para pagar as medições da construtora no final do mês. 

Até para a aprovação de um projeto pode ser útil. Por quê? A empresa pede R$ 200 milhões ao banco e fala que vai entregar [a obra] em 36 meses; o Gero pode dizer que ela precisa de R$ 180 milhões e terminará em 42 meses. Diminui o risco, esclarece. Hoje, esse cliente pode contar com o serviço do Gero ainda sem a plataforma 100% automatizada. 

Passada essa fase de testes, vai ser pago?

Até o final do ano, entraremos no mundo SaaS e cobraremos mensalidades por obra ou usuário. Se quiser mais usuários, paga à parte. Queremos manter a economia de uma obra em 15%, que é o que fazemos hoje, mas se conseguirmos 10%, está ótimo: de R$ 30 milhões, R$ 3 milhões são economizados.

Como? O Gero cria uma rede CPM com cinco mil tarefas e controla se cada uma delas foi ou não executada, se dentro ou fora do prazo. Isso retroalimenta o sistema, que segue propondo ações ao longo da obra. Assim, o orçamento não é estático; é um orçamento que, a cada retroalimentação, se atualiza. 

Como o sistema se retroalimenta? 

A construtora tem uma programação semanal com a frente de serviços e precisa informar poucas coisas. A plataforma nasceu para ser gerenciada por uma pessoa, apenas. Não há dependência de todo o estafe da empresa. Ela é simples porque as respostas são sim e não, fez ou não fez a programação semanal, as tarefas. Em dados, são precisos alguns números de custos, apenas. Por exemplo: quanto custou a folha, qual o custo dos terceirizados, de quanto foi a saída de almoxarifado, quanto foi o gasto com luz, telefone, internet etc. 

Todos esses dados vão para nossa base. No futuro, e aí vêm as próximas fases da startup, o banco de dados será tão gigantesco que o Gero decidirá de forma independente qual o melhor caminho da obra, não baseado em algoritmo, mas em inteligência artificial. Será um banco de dados suficiente para dizer que determinado tipo de obra normalmente tem tal tipo de problema, que pode ser solucionado de tal modo. Será uma análise profunda e muito mais assertiva dos possíveis cenários de cada obra

Neste período de testes, de onde vêm as buscas na plataforma?

Por incrível que pareça, empresas grandes têm usado o Gero para estudo de viabilidade. Já são mais de 150 usuários, alguns deram retorno, nos procuraram para saber quando viria o restante. Basicamente, do Brasil todo, pouco no Pará, que é a nossa região, e muita gente de São Paulo e do Sul. 

Na maioria dos casos, são empresas, engenheiros que fazem obras e estudantes. É um cadastro simples e posteriormente consegue testar quantos projetos quiser. Queremos saber quem está utilizando, que tipo de projeto e o nível de assertividade dos orçamentos.

Antônio Rezende é nome confirmado no Smartus Proptech Summit 2020.

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Foto: Pakistan Construction & Quarry

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