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Estudo estima queda de 38% nas vendas de apartamentos em abril

Consulta às incorporadoras também mostra que 79% pretendem adiar lançamentos

26/05/2020
Por Henrique Cisman

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgou nesta segunda-feira (25) os indicadores imobiliários nacionais referentes ao 1º trimestre de 2020. O levantamento realizado pela Brain Inteligência Estratégica mostra que nos 118 municípios verificados houve alta de 26,7% nas vendas entre janeiro e março em relação ao 1º trimestre de 2019.

Durante coletiva de imprensa para divulgação dos números, o presidente da CBIC, José Carlos Martins, destacou que a construção civil estava “em franca decolagem, caminho trilhado desde 2018”, mas que o movimento foi interrompido pela pandemia, referindo-se às estimativas dos resultados de abril.

Além dos indicadores imobiliários trimestrais, divulgados pela entidade em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) desde 2016, desta vez também foi realizado um levantamento em cidades das cinco regiões para estimar os impactos da pandemia de covid-19 em abril – primeiro mês completo de isolamento social.

No agregado dos resultados, estima-se queda de 38,8% nas vendas de imóveis verticais em abril. Dentre os cinco municípios pesquisados, apenas Maceió pode ter obtido aumento nas vendas, equivalente a 8%. Para Martins, isto mostra “quem está puxando o mercado para cima e quem não está”, referindo-se à importância do programa Minha Casa, Minha Vida e da utilização de recursos do FGTS.

Na outras quatro cidades pesquisadas (Curitiba, Manaus, Goiânia e São Paulo), a maior queda estimada é na capital paranaense. “Em Curitiba, 85% do mercado imobiliário] é financiado via poupança – houve 77% de retração [nas vendas]. Em Maceió, onde 20% do financiamento é pela poupança, houve aumento de 8%”, completou o presidente da CBIC.

O vice-presidente da Comissão de Indústria Imobiliária (CII) da entidade, Celso Petrucci, que também é economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo, afirmou que os recursos do FGTS e o programa Minha Casa, Minha Vida devem representar pelo menos 75% do mercado imobiliário brasileiro, embora os números dos indicadores trimestrais apontem para 57% dos lançamentos e 55% das vendas.

Segundo Petrucci, como a pesquisa abarca somente 118 municípios, dentre os quais estão os maiores do país, a probabilidade de que haja maior participação do Minha Casa, Minha Vida em cidades menores é grande, o que tornaria os percentuais de lançamentos e vendas no âmbito do programa ainda maiores.

79% das incorporadoras vão adiar lançamentos

Outro levantamento que compõe a pesquisa mostra que quatro em cada cinco incorporadoras vão adiar seus lançamentos em 2020. A sondagem obteve respostas de 540 executivos no mês de abril. Apenas 14% vão manter os lançamentos previstos antes da pandemia e para 7% dos respondentes ainda não existe uma posição definitiva da empresa.

De acordo com o sócio-diretor da Brain Inteligência Estratégica, Fábio Tadeu Araújo, os lançamentos mantidos são praticamente todos previstos para o último quadrimestre do ano, isto é, a partir de setembro, quando o isolamento social já deve ter chegado ao fim (ou pelo menos estar mais brando). 

Ele também destaca que o lado bom mostrado pelo levantamento é que somente 2% dos respondentes cancelaram os lançamentos em suas respectivas incorporadoras. Para 33% das empresas, haverá suspensão sem definição de nova data; 28% vão atrasar os lançamentos em 120 dias, e outras 16% postergaram por dois meses. “Quanto mais tempo durar a pandemia, mais tempo serão postergados novos investimentos para o mercado imobiliário”, alertou Araújo.

Vendas online chegaram para ficar

A pesquisa também revelou que as incorporadoras estão digitalizando o processo de compra e venda. Em abril, 26% dos respondentes não sentiram queda ou sentiram queda sutil na procura por imóveis. O percentual era 14% em março. “As empresas que já estavam preparadas para vender online claramente tiveram menor queda de vendas em comparação com as que não estavam preparadas”, destacou Araújo.

Já Martins ratificou que “as vendas online chegaram para ficar”. Na avaliação do presidente da CBIC, “todo mundo teve que agilizar seus processos. Assim como o varejo foi para o e-commerce, com o mercado imobiliário não é diferente”.

Intenção de compra

A Brain Inteligência Estratégica contatou 600 pessoas que entre setembro de 2019 e fevereiro de 2020 afirmaram ter interesse na aquisição de um imóvel dentro dos próximos dois ou três anos. Destes, 47% (ou pouco menos da metade) mantiveram a intenção de compra em abril, mesmo com todos os efeitos da pandemia.

Dentre os que desistiram momentaneamente, o principal motivo é a incerteza sobre a duração da pandemia (46%), seguido pela incerteza sobre o futuro do próprio emprego ou da renda (24%) e perda efetiva de renda (20%). 

Apesar do cenário, Petrucci e Araújo foram otimistas ao comentar os números. Ambos destacaram que o mercado imobiliário tem uma vantagem em relação a outros setores: moradia é uma necessidade, o que também explica o desempenho histórico muito superior do programa Minha Casa, Minha Vida em relação a imóveis de média e alta renda em períodos de crise ou recessão. 

Números do 1º trimestre

Além da alta de 26% nas vendas, mencionada no início da matéria, o 1º trimestre registrou queda de 14,8% nos lançamentos em relação a 2019, resultado que tem pouca ou mesmo nenhuma relação com a pandemia de covid-19. “O 1º trimestre de 2020 foi em parte afetado pela pandemia, mas somente os últimos 10 dias de março”, ressaltou Celso Petrucci, responsável por apresentar os números.

Os gráficos de lançamentos e vendas mostram tendência de alta nas curvas desde janeiro de 2017. “O ano de 2016 foi muito ruim para o mercado imobiliário”, lembrou o presidente do CII. No recorte regional, o destaque é a região Sudeste, que vinha puxando a retomada do setor nos últimos três anos. 

Petrucci destacou que as curvas de lançamentos e vendas estão mais aderentes – foram 160 mil unidades lançadas e 158 mil unidades vendidas no acumulado dos últimos 12 meses até março.

Finalmente, a oferta final (ou estoque) apresentou alta de 8% no 1º trimestre de 2020 em relação a 2019. De acordo com Petrucci, o aumento tem relação com o elevado volume de lançamentos no Sudeste. “A oferta é bastante equilibrada no país, considerando o acumulado de vendas dos últimos 12 meses. Hoje, o cálculo de escoamento é de 14 meses”.

Confira a íntegra dos indicadores clicando aqui.

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