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Construção se mostra resistente à pandemia e demite 11% menos em 2020

Outra pesquisa, realizada pelo Sintracon-SP, revela os impactos da pandemia na rotina dos trabalhadores

15/05/2020
Por Daniel Caravetti

Mesmo diante da crise econômica instaurada pela pandemia do novo coronavírus, a construção civil vem se destacando quanto à manutenção dos empregos. De acordo com dados da Base de Gestão do Seguro-Desemprego (BGSD), do Ministério da Economia, o número de solicitações de trabalhadores do setor foi 11,55% menor entre janeiro e abril de 2020 (204 mil) no comparativo com o mesmo período do ano passado (231 mil).

Quanto ao percentual de demissões entre as atividades pesquisadas, a construção civil também apresentou redução no primeiro quadrimestre do ano. Se em 2019 o setor representou 10,02% dos 2,3 milhões de pedidos realizados, em 2020 essa representatividade foi de 8,75% sobre as mesmas 2,3 milhões de requisições.

Isso porque, se levado em conta apenas o mês de abril, momento em que os impactos da pandemia se agravaram, o setor de construção também mostra números positivos. No comparativo anual, o número de requerimentos feitos caiu 8%, de 58,5 mil para 53,8 mil.  Enquanto isso, no geral, o Brasil viu as requisições de auxílio passarem de 613 mil para 748,5 mil, o que significou um aumento de 22%.

Relativamente à porcentagem geral de pedidos no mês, as solicitações dos profissionais da construção demitidos também caíram, de 9,5% do total de requerimentos em abril de 2019 para 7,2% em abril de 2020. 

Em matéria institucional, o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) se manifestou sobre o assunto, valorizando a importância do ramo de construção para o mercado: “A construção civil tem a sua capacidade de irrigar a economia como um todo, funcionando como uma locomotiva que puxa 97 vagões ligados diretamente ao setor”.

É importante ressaltar que a divulgação dos dados oficiais que mostram a quantidade de novas contratações e demissões no país – feita pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – está suspensa desde janeiro. A decisão foi do próprio Ministério da Economia, que alegou falta de prestação de informações pelas empresas.

Estado de São Paulo

Segundo o Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil), até o momento o desemprego no setor também não tem sido um problema para o Estado de São Paulo. Vale lembrar que a atividade foi classificada como essencial e teve a continuidade das obras permitida pelo governador João Dória.

“Estamos trabalhando a todo vapor e acredito que o desemprego ainda não chegue a 2% em relação ao total de trabalhadores. Desse número, a área mais afetada foi a administrativa, tanto em demissões quanto em suspensões de contrato e redução de jornada”, diz o presidente da entidade, Antonio Ramalho, em entrevista à Smartus.

De qualquer maneira, não se pode negar que as medidas citadas por Ramalho também são um dos motivos para que o número de demissões não seja mais alto. Em relação a isso, inclusive, o Sintracon-SP vem contabilizando a quantidade de trabalhadores afetados pela pandemia desde 23 de março. Até o último dia 13, mais de 5 mil deles tiveram suas rotinas de trabalho alteradas. Veja as tabelas.

Números referentes ao período entre 23 de março e 13 de abril

Ramalho também aproveita para lembrar que mesmo incentivando a continuidade das obras, o Sintracon-SP tem cobrado as empresas do setor para que as medidas de prevenção à Covid-19 sejam tomadas nos canteiros. Recentemente, a instituição paralisou três grandes obras na capital paulista devido ao não cumprimento das orientações.

“Uma delas tem mais de mil pessoas trabalhando. Paramos para exigir que elas façam o teste e cobrem a utilização de máscara, equipamento que muitas vezes não é providenciado pelas empresas e ainda sofre resistência dos trabalhadores. Essa demora na implantação das orientações acabou gerando algumas mortes e afastamentos médicos no setor”, afirma.

Quanto à possibilidade de a pandemia se entender para os próximos meses, o presidente do Sintracon-SP espera que o setor conte com apoio do governo para seguir atuando: “Deve-se investir em obras públicas pela carência e para gerar empregos. Atualmente, existem muitos canteiros paralisados por questões políticas”

“Também esperamos que sejam resolvidos os problemas relativos ao programa Minha Casa, Minha Vida, que está sem verba. Acredito que o mercado da construção civil será o primeiro a sair dessa crise”, completa Ramalho.

Leia também: Entregas devem seguir cronograma com manutenção dos canteiros
Como o corte da Selic impacta o mercado imobiliário?

Foto: Sam Thomas/Getty Images

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