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Transformação digital no mercado: oportunidade ou obstáculo?

Mudança no perfil dos consumidores afeta diversas corporações, incluindo as que atuam no segmento imobiliário

21/11/19
Por Daniel Caravetti

O mercado como um todo vive um processo de transformação digital nos últimos anos. Neste cenário, marcas que enxergam oportunidades ao invés de obstáculos estão se sobressaindo, e quem ainda vem relutando para aderir aos novos formatos de negócio pode acabar perdendo espaço.

Contudo, a necessidade de atualização por parte das empresas não é singular deste período. A primeira câmera da Kodak data de 1900 e ao longo de quase todo o século a empresa dominou o mercado. Ela foi responsável por vender 90% dos filmes fotográficos utilizados nos Estados Unidos, além de desenvolver um filme, o Kodachrome, tão amado por fotógrafos amadores e profissionais. 

Em 1975, a companhia criou a primeira câmera digital da história, porém não investiu na inovação com medo de prejudicar o seu negócio tradicional, que era muito lucrativo. Pouco tempo depois, o mercado digital chegou para ficar e todos os concorrentes da Kodak já tinham câmeras muito superiores. 

Ao longo das últimas décadas, o modelo de gestão de uma corporação esteve baseado em processos detalhados, atividades padronizadas e um controle através de hierarquia verticalizada. Na contramão deste panorama e com um novo mindset, surgiram as startups, implantando modelos menos complexos e mais fluidos, tudo isso aliado a um uso intenso de tecnologia.

A nova tendência se justifica muito por conta da mudança de perfil dos consumidores, que se acostumam rapidamente às novas tecnologias e a velocidade que elas trazem. Desse modo, é necessário que as empresas experimentem novos modelos de negócio, trabalhando para reduzir os atritos da padronização anterior. Patricia Hulle, superintendente de Negócios da Alphaville Urbanismo, explica que essa mudança também está ocorrendo no mercado imobiliário.

“Precisamos estar atualizados o tempo inteiro com o perfil dos nossos clientes, que vem mudando a cada dia. São pessoas que demandam mais agilidade nos serviços e nas respostas, então precisamos da tecnologia como aliada na melhoria do relacionamento com o consumidor. Hoje, as plataformas digitais trazem 30% dos nossos leads, transformados em vendas desde o processo inicial, sendo que isso deve aumentar”, diz.

Nesse sentido, a Alphaville Urbanismo tem feito parcerias com startups, como na operação de vendas. “Criamos um sistema nosso, juntamente com o Construtor de Vendas, uma startup que fornece a digitalização do processo comercial. Isso passa pelas propostas, contrato e toda a parte de gestão daquele cliente até o final, na assinatura. Também já estamos operacionalizando a assinatura digital e testando o registro de escritura online, em parceria com a startup Growth Tech. Porém, a compra de um imóvel ainda precisa de uma visita, não pode ser online, até por conta do sistema bancário imobiliário”, revela Hulle.

A empresa também vem investindo em tecnologia nos processos internos. “A inovação pode reduzir os custos e melhorar a produtividade, por isso também estamos aplicando a tecnologia voltada à área da gestão operacional. Em todas as obras, um sistema de monitoramento com drone está sendo implantado. Ele faz imagens de alta performance ao vivo, além de um levantamento mensal de informações sobre o andamento da obra. Dessa maneira, é possível ter uma gestão mais eficiente e os gerentes podem cuidar de mais obras ao mesmo tempo”, afirma.

Em um futuro próximo, a Alphaville Urbanismo também pretende oferecer essas imagens para os compradores dos imóveis. Segundo a executiva, já está sendo testado o piloto para que as cenas sejam disponibilizadas para os clientes, que poderão acompanhar todo o andamento da obra da propriedade adquirida.

O pós-ocupação contou, igualmente, com adesão de tecnologia. “Através de uma plataforma desenvolvida por outra startup, agilizamos o contato das associações de moradores do condomínio com a Alphaville. Assim, o sistema de manutenção e de garantias é acelerado”, conclui Hulle.

Outra empresa do setor, a HM Engenharia está bastante consolidada na questão tecnológica. A companhia já utiliza os drones para processamento de imagens na prospecção de terrenos e acompanhamento de obras e conta com atendimento online que permite a compra de maneira 100% digital, assim como as assinaturas do contrato. 

Com o apoio da Livework, primeira consultoria de design de serviços do mundo, a incorporadora também já mapeia todo o caminho percorrido pelos clientes, desde que manifestam interesse pelo empreendimento até a entrega das chaves. De acordo com Sylvia Bianco, diretora executiva da HM, as mudanças trouxeram muito mais agilidade no processo e comodidade para o consumidor.

“Com os novos processos de base digital, conseguimos dinamizar muitas atividades que antes tomavam mais tempo e exigiam burocracias que eram próprias de metodologias mais antigas. A nossa atual gestão está totalmente integrada e com atenção especial para o cliente, buscando compreender perfis e necessidades específicas. Para que ele se sinta acolhido e respaldado durante todo o processo de aquisição do imóvel, temos buscado colocar toda a empresa em sintonia, a fim de construir soluções em diferentes etapas da compra”, diz.

A diretora cita outras inovações adotadas pela HM: “Em alguns plantões de vendas, aplicamos a visita ao imóvel em realidade virtual e todas as novas obras contam com vistorias feitas nos tablets, nos quais as informações são conferidas em tempo real e já armazenadas em um sistema próprio, otimizando o processo”, revela.

Porém, mudanças tecnológicas afetam a gestão de uma empresa, que necessita estar disposta a aderir à uma nova mentalidade. “Passamos de uma cultura conservadora para uma cultura inovadora, com gestão participativa e colaborativa, o que trouxe impactos em nossa dinâmica e nas relações de trabalho. Para tudo isso acontecer, colocamos em prática um programa de gestão de mudança para que todos esses movimentos fossem vistos pelo aspecto positivo”, afirma Bianco. 

Mesmo com alguns obstáculos, a diretora executiva da HM Engenharia garante que já é possível mensurar resultados provenientes das inovações. “Isso pode ser observado pela evolução no nível de engajamento das pessoas em nossos projetos e iniciativas. Nossa marca hoje é muito mais forte, reconhecida internamente e pelo mercado” conclui.

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Foto: Drone Deploy

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