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CEO da Tecverde revela próximos passos após aporte financeiro

Objetivo da empresa é aumentar produtividade da construção civil com industrialização do setor

06/03/2020
Por Henrique Cisman

Empresa de tecnologia voltada para a construção civil, a Tecverde Engenharia teve uma parcela majoritária de suas ações compradas, no fim do ano passado, pela E2E, joint venture fundada pela belga Etex – especializada em materiais de construção – e pela chilena Arauco, companhia global atuante na indústria florestal. 

Fundada em 2009, a Tecverde nasceu com objetivo de tornar o setor mais industrializado, produtivo e sustentável. Para isso, trabalha para ser o melhor fornecedor de sistema construtivo para prédios de até quatro pavimentos e casas, produzindo cerca de 80% do empreendimento dentro de fábrica, segundo o CEO e cofundador Caio Bonatto, que concedeu entrevista exclusiva à Smartus

Mesmo com o valor da transação não divulgado, Bonatto explica como o aporte recebido será importante para o futuro da companhia: “Vamos ter uma capacidade financeira muito maior. Estamos muito focados em reduzir cada vez mais o custo do produto sem perder a qualidade. Isso envolve muita pesquisa, portanto, muito investimento. É uma área que o construtor tradicional não costuma se aventurar”.

Ele também lembra que existem outros ganhos além da maior capacidade de investimento: “Teremos acesso a uma rede de laboratório e centros de pesquisa de altíssimo nível, global”, afirma. Isso porque os grupos não investiram apenas na Tecverde, mas em outras duas empresas, uma inglesa e outra chilena. “Juntas, vamos otimizar o desenvolvimento de tecnologia para o setor”, projeta o especialista.

Vale lembrar que a Tecverde absorveu tecnologias de outros setores para realizar seu projeto de industrialização de construções, como, por exemplo, da indústria automobilística. “Nossa equipe conta com um ex-diretor da Volvo, que tem experiência nos processos mais industriais. Também trouxemos conhecimentos de fabricação de outros bens de consumo, design, engenharia de produto e mercado, através de diferentes profissionais”, diz Bonatto. 

“Eu acho que essa expertise multidisciplinar da empresa é o que levou a gente ao patamar que estamos hoje. Sempre fizemos muito benchmarking com outros setores, encarando a construção civil como um setor que já estava viciado”, completa. Neste sentido, ele ainda fala sobre o motivo deste setor, considerado conservador, estar se abrindo às novas tecnologias, como a oferecida pela Tecverde. Veja no vídeo abaixo.

De acordo com Bonatto, a tecnologia desenvolvida pela Tecverde permite montar uma casa em duas horas, com quatro pessoas trabalhando no canteiro, e um prédio de “térreo mais quatro andares” em uma semana, com sete pessoas. 

Nos painéis fabricados industrialmente, as paredes já contam com a estrutura de janelas, portas, base de revestimento, além das partes elétrica e hidráulica instaladas. “É a forma de ganhar eficiência, afinal, no canteiro é apenas plug & play”, diz. Dessa maneira, são feitos apenas a fundação e os acabamentos do empreendimento – como instalação de louças, metais e pintura – no local. 

Atualmente, a principal tecnologia utilizada pela Tecverde é o wood frame, sistema construtivo executado com madeira engenheirada. Entretanto, Bonatto garante que o material não é a prioridade da companhia: “Não somos uma empresa focada em madeira, mas em produtividade. Acontece que, hoje, a madeira é um excelente insumo para alcançar a produtividade, pois é uma matéria-prima que oscila muito menos que aço e cimento, é renovável e tem em abundância no Brasil”.

“Por esse motivo, a madeira é o insumo para o perfil estrutural, mas existem outros diversos materiais: películas de controle de umidade e vapor, chapas de cimento, de gesso. O consumidor final não vê madeira em absolutamente nenhum lugar, então procuramos desassociar a imagem dela à tecnologia, porque é muito mais complexo, avançado. A madeira está para nós como o aço está para a construção convencional”, completa.

Benefícios da tecnologia

De acordo com o CEO da Tecverde, ao diminuir o prazo de conclusão das obras, incorporador e consumidor são beneficiados: “Sobre a velocidade, é importante para o construtor aumentar a rentabilidade, e para o consumidor, principalmente de baixa renda, deixar o aluguel. Isso tem um efeito muito grande na vida dessas pessoas”. 

“Muito se fala que não é possível acelerar obras porque as pessoas não conseguem pagar. Pensamos o contrário: entregando uma obra rápida, você dá condição dessa pessoa se livrar antes do aluguel e usar esse dinheiro para começar a amortizar a casa. Nesse momento, entendemos que essa tecnologia vem para solucionar problemas reais do setor”, complementa.

O sistema construtivo oferecido também reduz custos para o incorporador, principalmente por demandar menos mão de obra no canteiro. “Em relação aos empregos, existe uma transferência do canteiro para a nossa empresa, o que reduz despesas para o construtor. Isso ainda diminui os riscos trabalhistas, possíveis acidentes e erros humanos. O custo do empreendimento para o incorporador é barateado”, diz.

Sobre a usabilidade dos empreendimentos, ele garante que não existe diferença em relação às construções tradicionais: “Não há prejuízos: pode-se fixar quadros e móveis em qualquer lugar da parede, sem nenhum tipo de ferramenta especial. Funciona como uma casa tradicional, com a vantagem de tirar foto do QR Code e saber exatamente onde estão as instalações elétricas e hidráulicas, uma vez que nossos projetos utilizam a forma mais avançada do BIM (Building Information Modelling)” revela o CEO.

Outro benefício citado por Bonatto é a sustentabilidade dos projetos da empresa, uma vez que são reduzidas emissões de CO² em 80%, geração de resíduos em 85% e consumo de água em 90%, no comparativo com uma construção convencional. Os imóveis ainda são duas vezes mais eficientes energeticamente, segundo ele.

Atuação da companhia

Oferecendo um sistema construtivo industrial, a Tecverde otimiza o trabalho logístico para transportar os painéis, viabilizando o negócio. Com sede em Curitiba, hoje a companhia atua nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. 

Fabrica de construção industrializada da tecverde

Fábrica da Tecverde em Curitiba, Paraná.

“Conseguimos ser muito competitivos em um raio de até 1.500 km, o que mostra o nível de amplitude geográfica que alcançamos. Isso porque as despesas com o transporte acabam sendo compensadas por reduções em outras frentes, como custos indiretos de obra, custos de canteiro, entre outros,” revela Bonatto.

Sobre a comercialização do produto às construtoras e incorporadoras, o cofundador da Tecverde explica que a empresa tem duas frentes: “Caso a opção seja por um produto já testado e mais competitivo, podemos atendê-las com projetos nossos, que já foram repetidos milhares de vezes. Contudo, também executamos o projeto que elas apresentarem, afinal, não existe limitação arquitetônica desde que sejam, no máximo, quatro andares além do térreo”.

Além disso, a empresa desenvolveu um produto voltado para loteadoras a fim de potencializar a rentabilidade e liquidez das unidades através de uma solução que garante ocupação mais rápida do empreendimento, além de oferecer ao proprietário do lote uma solução financeira para construção da casa junto à prestação do terreno. Veja a explicação do CEO no vídeo abaixo.

No próximo dia 19, Caio Bonatto vai representar a Tecverde em uma palestra no Smartus Proptech Summit 2020. Segundo ele, “a produtividade vai ser a alma de todo e qualquer negócio nos próximos anos”.

Leia também: Vista como matéria-prima do futuro, madeira ganha espaço na construção civil
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