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Vista como matéria-prima do futuro, madeira ganha espaço na construção civil

Pioneira em plantio e manejo de florestas no Brasil, Amata está construindo fábrica para atender mercado em larga escala

14/02/2020
Por Henrique Cisman

Casas ou edifícios de madeira podem ainda não ser comuns no Brasil, mas têm ganhado cada vez mais espaço na construção civil por aliar características como sustentabilidade, redução de custos diretos e indiretos, aumento da produtividade e conforto, tudo isso alicerçado pela tecnologia aplicada desde o plantio até o tratamento da matéria-prima.

Com 15 anos de atuação no mercado de commodities, a Amata está construindo uma fábrica para produção de madeira engenheirada no Sul do país visando atender em larga escala o mercado imobiliário brasileiro. De acordo com a empresa, a unidade será inaugurada em janeiro de 2022 e poderá fornecer de imediato a matéria-prima para as construtoras.

“É uma fábrica de volume: vamos produzir, no momento de maturação (estágio inicial), 60 mil m³ por ano, o que significa que vamos ter preço. Essa é a grande ousadia da Amata, pois o mercado [de beneficiamento de madeira] ainda não existe [no Brasil], e enquanto não houver fábrica de volume, ele não vai existir, porque é preciso ter preço”, destaca a gerente de projetos da empresa, Ana Belizário.

Atualmente, existem no Brasil indústrias de madeira engenheirada focadas principalmente em unidades de residencial unifamiliar, explica a arquiteta. “Foi uma tendência natural do mercado até agora, mas uma vez que essa solução seja adotada de forma mais estruturada, essas indústrias também têm capacidade de se ampliar, aumentar a capacidade de produção [para larga escala]”. 

Enquanto a fábrica não fica pronta, a Amata experimenta o produto em projetos-piloto, como um edifício comercial de três pavimentos na região oeste de São Paulo, no qual a estrutura de madeira já foi entregue e a inauguração deve ocorrer ainda em 2020. “Nestes dois anos [até a fábrica ficar pronta], vamos continuar importando o material de uma parceira austríaca, que é uma garantia de experiência para a abertura desse novo mercado”, afirma Belizário.

parte de dentro do prédio de madeira em construção na cidade de São Paulo

Prédio de três pavimentos em madeira engenheirada está em fase final de construção em São Paulo. Foto: Amata

Tal qual outros especialistas têm apontado, ela vê a madeira como matéria-prima do futuro para a construção civil: “A madeira responde muitas questões em uma, resolve a questão de supply (fornecimento) de matéria-prima, de onde é tirado o recurso, e está sendo discutida em diversos setores: alimentício, construção civil, transporte, infraestrutura, geração de energia. Ela está alinhada ao pensamento contemporâneo, é leve, rápida, trabalhável e consegue fazer um canteiro de obras em tempo muito reduzido. Não é um discurso estético”, ressalta.

Ana Belizário vai palestrar no Smartus Proptech Summit 2020.

Tecnologia que gera resultados

A exploração de pinus (espécie utilizada pela Amata) se inicia no plantio das mudas e vai até o envio da madeira tratada para o canteiro de obras. Nesse caminho, muita tecnologia é aplicada para garantir o sucesso do produto, a começar pela silvicultura, que no Brasil tem ótimo desempenho. Segundo a especialista, o ciclo de crescimento das árvores é seis vezes mais competitivo do que nos mercados americano e europeu.

Depois de extraída, a madeira passa por um longo processo de secagem, classificação mecânica e visual, para então ser tratada (ou beneficiada). “Essa etapa é chamada de safe inside, isto é, embarcar tecnologia na matéria-prima”, afirma Belizário. 

Na sequência, a madeira é direcionada para a linha industrial, basicamente composta por prensas hidráulicas e um processo de usinagem. “Esse ciclo de tecnologia garante, em cada etapa, estabilidade dimensional, precisão e durabilidade, que são aspectos importantíssimos para a construção civil”.

O produto final – a madeira engenheirada – sai em módulos prontos para serem montados no canteiro de obras, tal como lego, incluindo furações, rebaixos, recortes, portas e janelas. “Os componentes hidráulicos e elétricos são inseridos no canteiro, mas a madeira engenheirada permite que haja furação [prévia] desses sistemas, o que costuma ser um ponto bastante crítico na construção”, explica a arquiteta.

Nos métodos convencionais, as paredes e lajes primeiro são construídas para depois haver os cortes, ou seja, ao utilizar madeira engenheirada há ganhos de tempo, economia de recursos e menor risco de acidentes no canteiro.

Resultados em números

Comparando lajes de madeira engenheirada a lajes de parede de concreto, a proporção de trabalhadores no canteiro de obras é de cinco para 80, informa a arquiteta Ana Belizário. Ou seja, uma redução de 16 vezes na quantidade de funcionários. De acordo com a Amata, uma taxa média de montagem utilizando madeira engenheirada corresponde a 300 m² por dia em uma equipe de cinco pessoas.

O sistema também resulta em redução de prazo: em um projeto cujo cronograma esteja bem alinhado com todas as frentes de trabalho, essa redução varia entre 40% a 50% do tempo, ganho expressivo para o canteiro de obras.

Cálculo do custo-benefício para o incorporador

De acordo com Ana Belizário, observar apenas o custo por m³ (metro cúbico) não é a melhor forma de calcular se vale ou não a pena o investimento: “Além dos orçamentos de obra, é importante analisar os custos indiretos que podem ser otimizados para que o custo final geral seja equivalente ou até menor”, avalia. 

Nessa conta, é preciso considerar o tempo da obra no canteiro, a gestão dos resíduos produzidos, o risco de atraso na entrega e todos os problemas gerados por esse descumprimento do prazo inicial.

“Acreditamos que vai acontecer no Brasil o efeito ‘planejado versus entregue’, como já ocorre no mundo. A viabilidade de um produto imobiliário carrega muito risco porque o ciclo é longo, estamos falando de três anos entre viabilidade, desenvolvimento de projeto e construção. Qualquer atraso pode ter impacto muito grande”, explica Belizário.

Para o consumidor, o preço da unidade é competitivo em relação a imóveis construídos com outros materiais, mas a percepção de valor é aumentada, segundo a arquiteta: “A sensação geral para o consumidor final, via de regra, é de um produto mais robusto, mais agradável, mais bonito e confortável”.

Qualidade, durabilidade e manutenção dos imóveis em madeira

Com madeira engenheirada, a vida útil do empreendimento alcança os 50 anos, conforme exigido pela norma de desempenho brasileira. Em relação à temperatura interna e isolamento acústico das unidades, construções em madeira geram maior conforto ambiental, sobretudo na questão térmica. 

Para que o imóvel seja adequadamente preservado no decorrer do tempo, a madeira engenheirada requer maior atenção principalmente à umidade, ocorrência de cupins e outros insetos. Ainda que a madeira seja tratada industrialmente, o monitoramento é uma forma de manutenção a longo prazo. “A madeira não exige manutenção maior do que a necessária em outros sistemas”, diz Belizário.

Pilar de madeira dentro da construção do primeiro prédio todo em madeira do Brasil

Placas de madeira engenheirada em prédio construído com matéria-prima fornecida pela Amata. Foto: Amata

Normas e aprovações

De acordo com a especialista, não há limitação técnica para a quantidade de pavimentos erguidos em estruturas de madeira engenheirada: “No Brasil, existe alguma variação entre cidades e estados sobre a normatização em relação à construção em madeira, mas nos principais estados do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, não há restrição de altura”.

Pelo mundo, existem prédios com mais de 20 pavimentos erguidos em madeira e outros em construção com mais de 40 andares, de acordo com Belizário. 

No tocante às aprovações de projeto, ela ressalta que há cuidados especiais, principalmente junto ao corpo de bombeiros, mas sem impeditivos. “A normatização brasileira está suficientemente robusta para aprovar projetos em madeira engenheirada”. 

Sustentabilidade

Por se tratar de um método de construção a seco, isto é, no ambiente de fábrica, a madeira engenheirada economiza bastante água na comparação com outros métodos, como o concreto armado. 

Outro benefício é a capacidade de estocar carbono enquanto matéria-prima: “Tanto o concreto quanto o aço são matérias-primas que no processo de produção colocam carbono na atmosfera. Com a madeira, é o inverso. Quando se olha para o ciclo completo do edifício – ganhos e gastos de energia e gás carbônico -, a madeira engenheirada ajuda a diminuir o impacto da obra”, afirma Belizário.

Em relação aos resíduos gerados no canteiro, a soma é praticamente insignificante, uma vez que toda a estrutura vem pronta de fábrica, sendo necessários apenas ajustes pontuais, como desbastes ou refiles. “Nos métodos convencionais, até 30% dos materiais que vão para o canteiro de obras se tornam resíduos”, compara a especialista.

Dentro do sistema de tratamento da madeira, existem tipos de produtos com algumas particularidades, como wood frame, CLT e glulam, estes dois últimos fornecidos pela Amata ao mercado. “Escolhemos trabalhar com CLT e glulam porque são materiais muito novos, principalmente o CLT. Acreditamos que eles têm versatilidade, resistência, robustez e beleza que se encaixam perfeitamente nas demandas do mercado imobiliário”, explica Belizário.

Mercado mais aberto à inovação

Na parte final da entrevista, o assunto foi a incipiência do Brasil em relação a outros países neste tipo de tecnologia e a maior abertura da construção civil para inovações. Ela destacou, como propulsores da madeira enquanto matéria-prima imobiliária, a urgência em aumentar a produtividade no setor e a enorme capacidade do país de se tornar uma potência mundial no universo da bioeconomia.

Outro destaque foi a última crise econômica, que obrigou os empresários a repensar a forma de trabalho. Ela também falou sobre o movimento de retomada do mercado imobiliário e a importância de aproveitá-lo no timing certo. Confira no vídeo a seguir.

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Leia mais: Norma Regulamentadora 18: o que muda a partir de agora?
Construção em madeira é a “próxima onda do mercado”

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