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Investimentos em fundos imobiliários dobram em relação ao ano passado

Opção vem atraindo investidores da renda fixa, mesmo sendo variável; especialista prevê novo crescimento para 2020

12/11/19
Por Daniel Caravetti

O volume captado pelos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) até outubro deste ano dobrou na comparação com o mesmo período de 2018, passando de R$ 13,1 bilhões para R$ 26,2 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em relação ao total do ano passado, 15,5 bilhões, o ano de 2018 já superou o valor em 70%.

Isso porque, dentre todos os anos contabilizados pela Anbima, desde 2013, o volume captado em 2019 registrou a maior alta. Já o número de operações em fundos imobiliários até o momento, 103, ainda é menor do que em 2018, quando atingiu 109. A expectativa é que o montante também seja superado, afinal, em outubro do ano passado haviam sido realizadas 91 operações.

O CEO e fundador da Mérito Investimentos, especialista em ativos imobiliários, Alexandre Guilger Despontin, explica a diferença entre os crescimentos de volume captado e número de operações. “Os players não aumentaram muito. Na verdade, são praticamente os mesmos fundos atuando na área, porém fazendo ofertas maiores. Isso vem acontecendo pelo crescimento na demanda, lembrando que o número de cotistas vem crescendo”, diz ele. Os fundos imobiliários, inclusive, atingiram a marca de 1 milhão de cotistas no início de setembro.

“O apetite dos investidores nos fundos cresceu, sobretudo, pela queda da taxa Selic em quase metade do valor do ano passado para cá. O mercado mostrou bons rendimentos recentes e tem se tornado atrativo, principalmente para aqueles que tinham recursos aplicados em renda fixa. Está havendo uma migração”, afirma Despontin.

O especialista ainda fala sobre o impacto desse aumento e a expectativa para 2020. “Este crescimento fomenta todo o mercado imobiliário, afinal, uma maior demanda estimula o setor de construção civil e também as incorporadoras. A tendência é que os juros ainda caiam um pouco mais e se mantenham estáveis no ano que vem. Por isso, o volume captado pelos fundos de investimento imobiliário deve crescer novamente em 2020, em cerca de 30%, mas dificilmente será dobrado como neste ano”, conclui.

Como funcionam os FIIs?

A diferença dos FIIs para o restante dos fundos é que o gestor adquire participações em propriedades, obtendo retornos com venda ou locação. Tais imóveis podem ser prédios, shoppings, agências bancárias, galpões logísticos, entre outros. O lucro com esses recebimentos – descontadas as taxas de manutenção – é distribuído aos cotistas mensalmente em forma de dividendos.

Na prática, o cotista está recebendo o aluguel de um imóvel, porém não é responsável por alguns procedimentos. Ou seja, ele não precisa ir ao cartório fazer escritura, não lida com inquilinos ou imobiliária e jamais recebe reclamações em razão de um descontentamento com a propriedade. Além disso, ao contrário do aluguel tradicional, o investidor do fundo não paga imposto de renda sobre os dividendos mensais.

A diversificação é outro diferencial, já que os fundos imobiliários costumam investir em diversos tipos de imóveis e alugar para diferentes inquilinos. Portanto, caso um imóvel fique vazio ou algum locatário deixe de pagar, os prejuízos são diluídos entre os cotistas. Também vale lembrar que os FIIs não são uma modalidade de investimento de renda fixa, e sim variável. As cotas tendem a se valorizar, mas também existe risco de caírem de preço. Para investir, podem ser aplicados valores baixos, a partir de R$ 100. 

Há duas maneiras de obter lucro com o investimento nos FIIs, assim como ocorre com um imóvel. A primeira delas é com os dividendos mensais, onde os percentuais variam de fundo para fundo. Há opções no mercado pagando cerca de 7% de rentabilidade líquida ao ano. A segunda maneira de ganhar dinheiro é através da valorização das cotas, afinal, os imóveis podem ganhar valor de mercado.

Nos últimos meses, os fundos imobiliários atraíram investidores da renda fixa, que perdeu em atratividade com a queda da taxa Selic. Desta maneira, o poder de investimento por parte dos FIIs cresce e as ofertas feitas no mercado são maiores, impulsionando as incorporadoras e construtoras, além de outros mercados paralelos, como, por exemplo, dos materiais de construção.

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