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Home office eleva régua para novos projetos de escritórios

Prédios corporativos precisam de diferenciais para manter atratividade

10/06/2020
Por Henrique Cisman

A pandemia do novo coronavírus acostumou empresas e funcionários ao trabalho remoto. Mesmo com o afrouxamento das medidas de isolamento social, boa parte das companhias ainda não definiu a volta aos escritórios. É o caso da startup Bynd, maior rede de caronas corporativas do Brasil. 

De acordo com o CEO, Gustavo Gracitelli, não há previsão de retorno pelo menos até dezembro: “Hoje, não temos planos de voltar. Eventualmente, se voltar, será de outro jeito. Por ora, vamos seguir em trabalho remoto pelo menos até o final do ano”, afirma em entrevista à Smartus.

Neste cenário, aumenta a exigência para os escritórios. De acordo com o diretor de incorporação da Laguna, André Marin, a empresa está em fase inicial de desenvolvimento de um prédio corporativo cujo lançamento deve ocorrer no ano que vem: “O que estamos discutindo neste novo projeto é que ele precisa ser muito diferenciado para atrair o trabalhador. Não dá para ser um caixote sem acesso a ambiente externo, sem verde ou coisas bacanas”, afirma.

Adepto do home office, o executivo da Bynd explica que a situação imposta pela pandemia forçou mudanças na organização da empresa, que se habituou ao trabalho à distância, que antes era problemático, reconhece Gracitelli. 

“Hoje, posso dizer que somos uma única empresa. Antes, é como se fossem duas. De repente, a pandemia fez com que desenvolvêssemos novos mecanismos e processos. A metodologia [de trabalho] fez que com a gente se aproximasse mais, portanto, não prevemos a volta, por enquanto”, ratifica. 

Com sede em São Paulo, a startup pretendia devolver o escritório, mas recebeu isenção de três meses no aluguel e manteve o ponto, de acordo com o executivo. “Não sei se é tendência, mas virou realidade para muita gente e será difícil voltar, as pessoas não vão querer dar um passo atrás, se deslocar duas ou três horas por dia, não vai ter como [a empresa] justificar isso”. 

Para Gabriel Nascimento, fundador da fintech Ulend, “a economia brasileira é muito presencial”, portanto é bem provável o retorno aos escritórios na maioria das empresas. Por outro lado, aquelas cujo modelo de negócio permite o trabalho remoto, como no mercado financeiro, tendem a voltar de forma menos acelerada.

Sediada em Curitiba, a Laguna conseguiu manter em 100% a ocupação do edifício corporativo Iguaçu 2820, no bairro Água Verde. De acordo com Marin, a incorporadora renegociou um percentual dos aluguéis durante dois ou três meses com os locatários, variando caso a caso. “É um ativo muito bom, novo, [certificação] leed gold, bem localizado. Tivemos que dar desconto, mas não tem vacância. Outros projetos, sabemos que tiveram”, destaca o executivo.

Além dos atributos do prédio, outro diferencial é a localização, segundo Marin: “O 2820 fica perto do bairro Batel. Não é uma região tão comercial, é residencial com um pouco de comércio, então foi algo novo. Temos 5 lajes de escritórios que somam 1,1 mil m². Há desde banco tradicional até empresas de tecnologia”, revela.

O executivo afirma que é difícil fazer uma projeção sobre o retorno das empresas aos escritórios. Há duas semanas, a taxa de ocupação do Iguaçu 2820 era entre 10% a 15%. “Acreditamos que a partir de agosto as coisas devem voltar ao normal, pessoas voltando ao escritório. O que não sabemos é se haverá mudança cultural para o home office, o que impactaria o mercado corporativo”.

Pesa a favor dos escritórios a inviabilidade para muitas pessoas realizarem o trabalho em casa, fator ponderado por Gracitelli. “É importante observar o recorte de renda: nem todo mundo consegue ter uma estrutura de trabalho em casa, precisa se preocupar com isso”. 

Marin afirma que a pandemia tende a aumentar o espaço de m² por trabalhador nos escritórios, além de exigir diferenciais como os já mencionados. “Não vejo nada disruptivo. Home office já existia antes, mas está acelerando algumas mudanças. Os novos projetos não podem ser lajes como antigamente. Já havia um movimento neste sentido, mas agora vai acelerar muito, como tantas outras coisas”, finaliza. 

Leia também: Home office não diminui demanda por escritórios e coworkings
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