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Energia solar reduz 70% das tarifas em projetos econômicos

Estudo avaliou benefícios da geração fotovoltaica em habitações populares

17/7/19

Um estudo realizado em conjunto pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e a empresa Furnas Centrais Elétricas afirma que imóveis populares podem alcançar até 70% de economia nos custos com energia elétrica mediante geração de energia fotovoltaica.

No lugar de instalações individuais, a captação de energia solar pode acontecer por um sistema fotovoltaico integrado nos empreendimentos, conhecido pela sigla BIPV (termo em inglês), que permite a colocação das placas em fachadas, claraboias, marquises etc., gerando economia, por exemplo, ao manter a temperatura de um ambiente e reduzir a utilização de ares-condicionados e aquecedores.

A chinesa Trina Solar espera aumentar sua participação no mercado brasileiro de 1% para 20% ainda em 2019, aproveitando-se do momento de alta da energia solar no país – 41% das empresas nacionais foram criadas há menos de um ano, apontou levantamento feito pelo Portal Solar com executivos do ramo.

Embora represente apenas 1,2% da matriz energética brasileira, a energia solar fotovoltaica dobrou sua capacidade instalada de geração centralizada no ano passado, alcançando 2,4 gigawatts (GW). Até dezembro, a Absolar calcula que a capacidade seja de 3,3 gigawatts, um novo aumento de 44%.

De acordo com o último relatório divulgado pela associação, há 919 megawatts (MW) de capacidade instalada em microgeração e minigeração distribuídas – as que são realizadas em residências, comércios ou fábricas por iniciativa dos proprietários. Em janeiro, a geração distribuída somava 571 MW de capacidade instalada – um aumento de 60% em 6 meses.

Além dos benefícios ambientais – não utiliza recursos hídricos, não emite gases do efeito estufa nem resíduos ou ruído -, a produção de energia fotovoltaica reduz as perdas em transmissão e distribuição, alivia a demanda elétrica durante o dia, atrai investimento estrangeiro ao país, gera economia aos consumidores e cria empregos no mercado local – de 25 a 30 vagas por MW/ano, segundo a Absolar.

Para empresas do setor imobiliário, a alternativa pode ser um diferencial e atrair consumidores preocupados com a sustentabilidade do empreendimento, embora resulte em maiores custos de produção (confira este artigo sobre a importância da sustentabilidade como argumento de venda).

Mercado brasileiro está uma década atrasado

Mesmo com números crescentes, o mercado brasileiro está uma década atrasado em relação a outros países do mundo, afirma o presidente do Conselho de Administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk. “A geração distribuída solar fotovoltaica trouxe mais economia, liberdade e poder de escolha aos consumidores, mas não representa nem meia gota sequer em um oceano de brasileiros cada vez mais pressionados por altas tarifas”, disse.

De acordo com o levantamento mais recente da associação, os investimentos em microgeração ou minigeração distribuídas se aproximam dos R$ 5 bilhões no país, presentes em pouco mais de 99 mil unidades consumidoras – mais que o dobro em relação ao início do ano.

Os estados com maior capacidade de geração distribuída instalada são Minas Gerais (18,9%), Rio Grande do Sul (15,9%) e São Paulo (12,6%). No ranking dos municípios, Rio de Janeiro e Fortaleza lideram com 1,5%, seguidos por Brasília e Uberlândia, com 1,4% do total nacional.

A Absolar é contra a revisão do atual sistema de compensação proposto pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e enviou ao órgão regulador um documento de 158 páginas com análises, estudos técnicos, projeções e recomendações para a Análise de Impacto Regulatório (AIR) realizado pela ANEEL.

Na avaliação do CEO da Absolar, Rodrigo Sauaia, o mercado brasileiro de geração distribuída fotovoltaica está apenas começando e precisa de segurança jurídica e previsibilidade do Poder Público para ampliar sua atratividade a usuários e investidores.

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