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Empresas do setor imobiliário dobram valor de mercado em 12 meses

Rentabilidade sobre patrimônio voltou a ser positiva após três anos negativos

03/12/19
Por Daniel Caravetti

O mercado imobiliário residencial apresenta forte retomada nos últimos meses, trazendo confiança para o setor e excelentes perspectivas para o ano de 2020. O ambiente favorável pode ser comprovado pelo fato de que empresas da construção civil alcançaram seu mais alto valor de mercado desde 2014, segundo levantamento da Economatica. De dezembro de 2018 a novembro deste ano, a valorização foi de 102,4%, passando de R$ 20,9 bilhões para R$ 42,4 bilhões.

A pesquisa levou em consideração 11 empresas do setor imobiliário residencial listadas em bolsa, que possuem dados disponíveis trimestralmente de dezembro de 2014 até setembro de 2019 apresentados à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Vale lembrar que os valores do levantamento são todos nominais, sem nenhum ajuste por inflação. As empresas consideradas foram MRV, Cyrela Realty, Direcional, Even, Helbor, Trisul, Eztec, JHSF, RNI, Tecnisa e Cr2. Atualmente, a empresa com maior valor de mercado na bolsa é a Cyrela: R$ 10,5 bilhões.

Fonte/Elaboração: Economatica

Dívida total líquida

Outro recorde positivo no período contabilizado pelo estudo é a dívida total líquida, que decresceu para R$ 5,2 bilhões em setembro deste ano, atingindo o patamar mais baixo. Isso porque o déficit já foi de R$ 11,4 bilhões, em dezembro de 2014. De acordo com a pesquisa, atualmente a empresa com maior dívida é a MRV, R$ 2,4 bilhões, enquanto o maior superávit é da Eztec, com R$ 1,3 bilhão. Além dela, apenas Trisul e Cr2 apresentam dívida líquida negativa, ou seja, têm caixa maior que a dívida.

Vale lembrar que, no final de 2014, nenhuma das empresas listadas tinha dívida líquida negativa, estando todas no déficit. Na ocasião, a Eztec tinha débitos a honrar no total de R$ 272,4 milhões e a MRV, de R$ 1,2 bilhão. A empresa, inclusive, já chegou a ter uma dívida de R$ 2,7 bilhões, a mais alta de todo o período.

Fonte/Elaboração: Economatica

Caixa disponível

Em relação ao caixa, as empresas contavam com R$ 6,4 bilhões ao fim do 3° trimestre de 2019, o quinto maior registro da amostra. O maior nível ocorreu no 1° trimestre de 2015, com R$ 6,6 bilhões, enquanto o menor foi no 1° trimestre do ano passado, R$ 4,1 bilhões. 

Recentemente, o volume do caixa do setor contou com uma forte contribuição da Eztec. A empresa registra, no 3° trimestre de 2019, R$ 1,4 bilhão, valor bem superior aos R$ 420,8 milhões do trimestre anterior, com acréscimo de 233%, aproximando-se da Cyrela, que tem a maior quantidade de recursos em caixa, cerca de R$ 1,5 bilhão no 3° trimestre de 2019. Já a MRV, que já foi dona de um dos maiores caixas no final de 2014, com R$ 1,2 bilhão, hoje conta com R$ 498,4 milhões, uma queda de 59%, muito devido a investimentos em terrenos para financiar novos projetos.

Receita líquida

Outro dado analisado pelo estudo é a receita líquida operacional trimestral, que corresponde às vendas das empresas no 3° trimestre de 2019 e foi de R$ 4,2 bilhões. Nos últimos 4 trimestres, as receitas do setor têm se mantido em níveis acima de R$ 4 bilhões, algo que não ocorria desde dezembro de 2015. 

O melhor resultado trimestral aconteceu entre outubro e dezembro de 2014, com R$ 5,3 bilhões, justamente no período de maior dívida dessas empresas. Isso significa que, mesmo ainda caminhando para atingir igual patamar de vendas do período pré-crise econômica, o mercado imobiliário conta hoje com uma dívida muito menor, aumentando a lucratividade. Desta maneira, observa-se que, economicamente, as empresas do setor estão se tornando mais saudáveis e autossustentáveis.

Lucro líquido

O estudo realizado pela Economatica também analisou o lucro líquido trimestral, que corresponde a todo o valor da receita menos todos os custos decorrentes da atividade. O dado é positivo e com crescimento constante nos últimos 4 trimestres, passando de R$ 241 milhões no 4T18 para R$ 434 milhões de lucro no 3T19, aumento de 80%. 

Vale lembrar que, de setembro de 2016 a dezembro de 2018, foram oito trimestre negativos e apenas um positivo, sendo o pior momento no 4° trimestre de 2016, quando o prejuízo das empresas foi de R$ 488 milhões. Já a maior alta foi no trimestre final de 2015, com lucro de 631 milhões. 

A MRV foi a empresa mais lucrativa no 3° trimestre de 2019, com R$ 160,1 milhões, e a Tecnisa teve o maior prejuízo, com R$ 52,0 milhões. Ela é uma das três empresas da amostra que registram lucro líquido negativo no 3T19, sendo que em dezembro de 2016 eram sete.  

ROE

A Tecnisa também é quem apresenta o menor ROE (Return on Equity), ou rentabilidade sobre patrimônio, calculado com base no lucro líquido acumulado nos últimos quatro trimestres, dividido pelo patrimônio líquido. No último trimestre, o ROE da Tecnisa foi de -28,7%. Como os valores estão amarrados, as outras duas empresas que tiveram lucro líquido negativo, Helbor e Cr2, também apresentaram ROE negativo, além da RNI. 

Já a maior alta do ROE no 3º trimestre deste ano foi da Trisul, de 15%. No mesmo período, o ROE do setor voltou a ser positivo após onze trimestres negativos, ou seja, desde setembro de 2016, atingindo 7%. A maior alta ainda é do período pré-crise econômica, em dezembro de 2014, de 12%, e a maior baixa em setembro de 2017, com -8,2%.

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