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Consolidação do e-commerce pós-crise deve fortalecer galpões logísticos

Segmento terá problemas no curto prazo e oportunidades no longo prazo, segundo especialista

24/03/2020
Por Daniel Caravetti

Além de vítimas fatais em diversos países, a rápida disseminação do Covid-19 vem deixando marcas expressivas na economia mundial. São nestes períodos de crise generalizada, muitas vezes, que soluções surgem para garantir a sobrevivência de empresas e acabam sustentando novos padrões mercadológicos. 

Já muito utilizado e visto há algum tempo como tendência para o futuro, o e-commerce é um dos serviços que deve ter a sua consolidação impulsionada pela pandemia, em um cenário no qual muitos consumidores tendem, cada vez mais, a evitar contato direto e ampliar compras pela internet. 

Mesmo em um panorama de insegurança econômica, no Brasil, a alta de compras online foi de 40% nos primeiros 15 dias deste mês, de acordo com dados do Compre e Confie, empresa que trabalha com inteligência de mercado e atua no ramo de antifraude para e-commerce. No mesmo período, itens de saúde tiveram alta de 124%.

Segundo outra pesquisa, realizada pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) e divulgada pelo portal Exame, entre os dias 16 e 20 de março, algumas lojas virtuais registraram alta de mais de 180% em transações de produtos das categorias de alimentos e saúde. 

Além disso, com a propagação do vírus no Brasil, diversas lojas, como Casas Bahia, Ponto Frio e Magazine Luiza decidiram fechar todas as suas unidades e manter apenas as operações online.

Este movimento de alta inicial do e-commerce foi sentido por outro setor, de logística. A startup unicórnio Loggi, segundo o coordenador de comunicação Bruno Stankevicius, teve aumento de 15% na volumetria dos pedidos no último dia 16, segunda-feira na qual muitas quarentenas tiveram início. 

De qualquer forma, a empresa garante que não houve problemas para atender uma maior demanda: “Temos capacidade para atender três vezes o nosso volume médio de entrega. Inclusive, nos colocamos à disposição de Ministério da Saúde, além de órgãos estaduais e municipais, para realizar a distribuição rápida de testes, suprimentos e demais matérias relacionados ao Covid-19”, diz Stankevicius.

“Diante desse cenário de pandemia, compras online, serviços de entrega em domicílio e logísticas de abastecimento passam a ter importância estratégica para o bem-estar da população. Para isso, criamos um comitê de saúde e segurança a fim de minimizar o contato humano e o risco de contágio do vírus na cadeia logística”, completa.

Qual a relação com a incorporação?

Por necessitarem de um armazém para estocar produtos que serão posteriormente distribuídos, e-commerce e cadeia logística estão diretamente relacionado com o negócio de galpões. Recentemente, inclusive, o crescimento das operações online foi responsável por aumentar a demanda deste tipo de imóvel, movimento comprovado em pesquisas.

No ano passado, foram alugados 1,3 milhão de m² de galpões logísticos no Brasil, número 60% maior do que em 2018, de acordo com um levantamento da consultoria Colliers. Já em um raio de 30 km da cidade de São Paulo, cálculos da imobiliária norte-americana Newmark Knight Frank indicam que a taxa de vacância de galpões caiu de 13% para 10,5% no último trimestre de 2019.

Em entrevista institucional, o presidente da Global Logistic Properties (GLP) Brasil, Mauro Dias, ressaltou justamente o papel do e-commerce nesse processo: “Em 2019, o comércio eletrônico representou quase 50% das novas locações da GLP e atingiu 40% de nossa operação total no país. Em 2016, o ramo locava cerca de 20% dos espaços”.

Problemas no curto prazo

Mesmo tendo uma alta inicial, o e-commerce dificilmente sairá ileso da crise causada pelo novo coronavírus, assim como o setor logístico e os galpões, como explica Leonardo Faria, diretor de projetos da Smartus.

“Com a expansão do vírus, deve ocorrer uma desglobalização da rede de supply chain, diminuindo a carga de produtos em portos e aeroportos. Isso afeta o e-commerce, a logística, e os negócios de galpões, que deverão ter as suas taxas de ocupação diminuídas”, afirma.

Além disso, a incorporação brasileira, no geral, teve empreendimentos paralisados por diferentes motivos. “Interrompemos duas construções, primeiramente, porque não podemos arriscar a vida de pessoas pelo aspecto financeiro. Mas, de qualquer maneira, órgãos como prefeituras e Cetesb estão estáticos, o que não nos permite aprovar ou executar as obras”, disse Giuliana Montecalvo, proprietária da Galpões Brasil.

A empreendedora ainda revelou como a empresa tem trabalhado durante esse período para continuar produzindo: “Estamos utilizando esse tempo em que as obras estão paralisadas para focar na parte projetual, de arquitetura e de estrutura”.

Oportunidade no longo prazo

Se evitar os impactos da crise mundial causada pelo novo coronavírus parece impossível para o segmento de galpões, a consolidação do e-commerce no mercado pode significar uma grande oportunidade de negócios no médio e longo prazo.

“A tendência é que o mundo online se fortaleça ainda mais após o surto e, consequentemente, necessite-se de mais galpões. Mas é importante ressaltar que muitos espaços no Brasil ainda não estão preparados para atender o e-commerce”, diz Leonardo Faria.

“Os galpões atuais não estão localizados estrategicamente para este tipo de negócio. Portanto, a expectativa é que o segmento seja fomentado, porém tenha que passar por mudanças, uma vez que grande parte de sua capacidade deve ser, cada vez mais, destinada para o e-commerce”, completa. 

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