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Nebulização ultrassônica elimina coronavírus em edifícios

Utilizando ácido peracético, tecnologia aplicada na indústria passa a fazer parte da rotina de escritórios, shoppings e hotéis

23/06/2020
Por Henrique Cisman

A pandemia do novo coronavírus forçou medidas de isolamento social que ainda não foram completamente superadas no Brasil. Com o retorno gradual das atividades e a consequente mobilização de pelo menos parte dos trabalhadores para seus postos de trabalho, é crescente a preocupação com ações de combate à disseminação do vírus, de modo que haja segurança para funcionários e clientes.

Neste sentido, uma tecnologia de nebulização ultrassônica com ácido peracético tem sido aplicada por empresas de diferentes segmentos para eliminar o novo coronavírus dos ambientes, além de outros vírus, bactérias e fungos. Para entender como funciona este processo, conversamos com Willian Saito, gerente geral da TerraNova, empresa responsável pelo produto.

De acordo com o especialista, o ácido peracético é classificado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como de alto nível de desinfecção, ou seja, capaz de eliminar todos os tipos de fungos, bactérias e vírus, incluindo o novo coronavírus. O produto recebeu laudo de validação da Unicamp no tocante à eficiência no combate à Covid-19

Saito afirma que a nebulização ultrassônica do ácido peracético tem sido realizada em edifícios comerciais, escritórios, hospitais, carros de aplicativo de transporte e emissoras de rádio e televisão nos últimos meses. Ainda segundo o gerente geral da TerraNova, redes de shoppings e hotéis também estão interessadas no produto.

“Já existe procura de alguns shoppings e hotéis. Em locais onde há grande fluxo, discutimos a desinfecção de banheiros, elevadores, escadas rolantes; e o segundo ponto, nos shoppings, é uma proliferação de fungos muito grande dentro das lojas, principalmente em produtos de couro. E por que houve essa contaminação? Porque foram desligados os ares-condicionados, que ajudam a evitar a proliferação quando estão funcionando”, explica.

“Nos hotéis, a ideia é deixar um funcionário com o equipamento e assim que vagar o quarto, ele faz a aplicação. É um desinfetante orgânico que não deixa residuais no espaço, se decompõe em água e oxigênio, não dá alergia nem contamina as pessoas que venham a tocar na superfície”, complementa o especialista. 

Gerente de Propriedade da CBRE, Gilberto Matrangolo conta à Smartus como tem sido a experiência de aplicação do produto no edifício Plaza Iguatemi: “A nebulização é muito intensa, mas não é um produto tóxico. Mesmo em um ambiente fechado, depois de 15 a 20 minutos, aquela névoa se dispersa, desaparece e não fica nenhum resíduo nas paredes nem no piso”. Veja no vídeo abaixo como ocorre a nebulização.


Gotículas são finas como cerração e dispersam no ar sem deixar residuais, infiltrando todos os espaços

O executivo alerta que outros prédios, ao contratarem empresas que não dispõem da tecnologia de nebulização ultrassônica, não obtiveram o mesmo resultado: “Em algumas empresas que andaram fazendo, o piso ficou grudante, gosmento”, afirma.

Segundo Saito, existe uma grande quantidade de aventureiros no mercado, empresas que não nasceram para aplicação de desinfetantes, isto é, que fazem dedetização e também começaram a oferecer desinfecção. “São coisas completamente diferentes. Precisa ter um técnico especialista nisso”, ressalta.

No serviço prestado pela TerraNova, sempre há presença do operador do equipamento e de pelo menos um técnico – microbiologista, biólogo, farmacêutico ou químico – para realizar coletas antes e depois da aplicação do ácido peracético. 

“Ambas amostras são levadas no mesmo dia para um laboratório credenciado Reblas Anvisa (Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde), o que significa que há um padrão nacional de análise das coletas microbiológicas. Depois de uma semana, retornamos com o laudo do que tinha antes e depois no ambiente”, informa Saito.

Novo mercado

O especialista afirma que a nebulização ultrassônica do ácido peracético é usualmente aplicada nas indústrias químicas em geral, de alimentos, cosméticos e medicamentos, mas que o novo coronavírus abriu um novo mercado para a desinfecção de ambientes: “Nosso foco sempre foi industrial. Pensando em edifícios doentes, já havíamos trabalhado para a embaixada chinesa, mas era um mercado que não nos dava atenção”, revela.

“O que as pessoas não conseguem ver, não as torna sensíveis. Quando o coronavírus chegou, as empresas começaram a nos ligar em busca de uma solução mais profissional. Fomos chamados pela Cushman & Wakefield para conversar sobre uma metodologia de aplicação: se conseguiríamos criar um programa para edifícios doentes, se tínhamos o conhecimento técnico, o equipamento, se a desinfecção era garantida”, continua Saito.

“Depois conversamos com a CBRE e começamos a fazer em prédios comerciais, escritórios de advocacia etc. O coronavírus abriu um novo mercado e é um momento no qual a indústria desacelerou projetos. Retiramos equipamentos de algumas indústrias e mobilizamos para o coronavírus. Hoje, ele responde por 85% do faturamento da empresa e é ascendente a cada mês”, completa o especialista. 

Passados quatro meses desde que foi registrado o primeiro caso oficial da doença no país, as empresas entenderam que pelo menos até o final do ano será necessário ter recorrência na aplicação de desinfetantes industriais. “Temos contratos fechados até dezembro com aplicações periódicas, a cada 15 dias, semanalmente ou uma vez por mês”, diz Saito.

Segundo Matrangolo, no Plaza Iguatemi, a nebulização ultrassônica de ácido peracético foi contratada para os meses de junho, julho e agosto, mas ele acredita que a desinfecção será realizada até o final do ano. “Em junho, será uma vez a cada 15 dias e em julho deve ocorrer uma vez por semana”, afirma.

Sobre a recorrência da aplicação, Saito explica que nos edifícios é difícil mensurar a curva de recontaminação do ambiente. “Em uma indústria, isso é periódico. Pensando no escritório, o que vai contaminar o local é o fluxo de pessoas. Não dá para determinar um período para desinfecção. Criamos os cenários para o cliente, damos uma diretriz e ele toma a decisão se faz sentido realizar periodicamente. Nós oferecemos os instrumentos para o cliente tomar a decisão com base nos estudos”.

Gastos com afastamentos de profissionais

Mesmo depois de superada a pandemia do novo coronavírus, a desinfecção de ambientes deve ser um fator importante para empresas dos mais diversos segmentos. Isso porque outros vírus, fungos e bactérias também podem infectar funcionários e resultar em perda de produtividade e despesas para o empregador.

“Nos Estados Unidos, é feita uma análise de perda de produtividade e dispêndio em internação de funcionários. O cálculo é que as empresas perdem em média US$ 100 bilhões por ano com queda da produtividade e abstenção”, finaliza Saito.

Serviço
Laboratório responsável pelo ácido peracético: Thech Desinfecção
E
mpresa responsável pela tecnologia de nebulização ultrassônica: TerraNova
Ácido peracético utilizado na indústria de alimentos: Havoxil
Ácido peracético utilizado nos edifícios doentes: Voxilon
Responsável pelo laudo de eficiência contra o coronavírus (para o Voxilon): Unicamp

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A que temperatura sobrevive o coronavírus?

Uma revisão de 22 estudos sobre vários tipos de coronavírus publicada no Journal of Hospital Infection mostra que a permanência do vírus é menor em temperaturas mais quentes. Entretanto, os dados também indicam que mesmo em temperaturas elevadas como 30ºC ou 40ºC os vírus resistem, às vezes por dias.

Para que serve o ácido peracético?

O ácido peracético se trata de uma solução incolor levemente amarelada, com fórmula química CH3CO3H, que é utilizada especialmente para desinfecção. Através de uma nebulização ultrassônica, pode ser útil no combate ao novo coronavírus.

O que é desinfecção de alto nível?

Nesse nível de desinfecção, são destruídas boa parte dos microorganismos de artigos semi críticos, como bactérias, fungos, vírus e alguns esporos. As principais soluções adotadas são: hipoclorito de sódio, glutaraldeído, solução de peróxido de hidrogênio, cloro e compostos clorados, ácido peracético, ortoftalaldeído e água superoxidada.

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Foto: TerraNova

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