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Projetos modulares e pré-fabricados inovam no modo de planejar e construir

Adaptação à fase da vida do consumidor e economia de recursos são diferenciais

22/5/19

Dentre os diversos painéis de discussão do Smartus Proptech Summit, um em especial apresentou novos modos de planejar e executar obras de incorporação imobiliária. Duas propostas diferentes, cada qual modificando uma etapa distinta, porém ambas com objetivo de tornar o setor mais eficiente, fluido e rentável.

Saulo Suassuna Filho, fundador e CEO da Molegolar, abriu o painel explicando em que consiste a inovação arquitetônica dos empreendimentos modulares, os quais podem funcionar isoladamente ou serem integrados e constituírem um apartamento maior, perfeitamente adaptável às diferentes fases da vida de uma família.

“O setor imobiliário concentra 10% do PIB mundial mas no Brasil está bastante atrasado, só perdendo para as indústrias da caça e da pesca [em termos de inovação]. Então a inovação [nos empreendimentos modulares] consiste em produzir edifícios – que são obviamente estáticos – de forma dinâmica”, explicou.

Fundador da Molegolar, Saulo Filho destacou a flexibilidade de uso dos apartamentos modulares

De acordo com Suassuna, a percepção da necessidade de adaptar o produto surgiu da pior forma possível, após resultados ruins na venda de empreendimentos da empresa da família (Suassuna Fernandes Engenharia). “Pode-se ter unidades individuais que se integram perfeitamente para atender o momento de vida do indivíduo ou da família. E isso teve um impacto grande no mercado”, afirmou.

Hoje, estão em andamento 140 projetos no Brasil e há parceria com 53 incorporadoras estrangeiras, de 5 países diferentes. “A flexibilidade de ter vários produtos em um mesmo prédio, isso altera a necessidade número 1 do mercado [satisfazer os mais diversos tipos de cliente], então o projeto se torna resiliente”.

Outra inovação no mercado imobiliário, os pré-fabricados foram apresentados pelo CEO da Tecverde, Caio Bonatto. A empresa é a principal fornecedora de tecnologia para a edificação de empreendimentos, realizando 85% da obra em ambiente fabril. Bonatto afirmou que a integração dos processos na fábrica soluciona a falta de controle que as incorporadoras têm sobre a qualidade do serviço de terceiros.

Para destacar a importância da sistematização, Bonatto mostrou pesquisas que indicam queda da produtividade na construção civil na ordem de 1% nos últimos 15 anos, já partindo de um nível bastante baixo em relação a outros países – mesmo os subdesenvolvidos tal qual o Brasil.

“A Tecverde integra o processo de ponta a ponta, procurando a maior eficiência possível, com mais velocidade e qualidade. O edifício é projetado levando em conta como será produzido em fábrica, a logística, a montagem. Temos mais engenheiros mecânicos do que engenheiros civis na empresa”, disse.

Caio Bonatto explicou as vantagens do sistema industrializado de construção, como redução de custos e agilidade na entrega

Dentre as vantagens da industrialização, destaque para a redução de custos – em torno de 40% de economia com 4 vezes menos funcionários na obra – e de prazos – entrega 4 vezes mais rápida -, além de ser sustentável, economizando 90% dos recursos hídricos e emitindo 80% menos gás carbônico em relação à alvenaria.

A tecnologia pode ser aplicada tanto em projetos econômicos, como os da faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), quanto em residenciais de alto padrão.

O CEO da construtora Valor Real, Marcelo Lage, apresentou um projeto do MCMV desenvolvido em parceria com a Tecverde, no Paraná, que teve 100% das unidades vendidas na planta. “Isso mostra que ou o consumidor não percebeu diferença ou percebeu a diferença como uma vantagem. E quando se vê a velocidade da construção, isso gera reações muito favoráveis e positivas”, ressaltou.

Inovar é um caminho sem volta

Na opinião de Lage, a inovação é um caminho sem volta. “Não consigo imaginar que a construção não faça esse caminho, ainda que tardiamente. Quando você pensa na transformação da indústria automobilística, isso em algum momento vai acontecer com a construção civil. Precisamos deixar de ser artesanais e nos tornarmos mais eficientes”, alertou o empresário.

Para ele, a cultura do brasileiro permanece arraigada a padrões tradicionais. “É uma série de fatores [que limita a inovação]. Talvez o primeiro seja a questão cultural, precisamos ser mais disruptivos nesse sentido. Por outro lado, falta disseminar mais essas iniciativas, e fóruns como esse [Smartus Proptech Summit] vão nesse sentido”, disse.

Marcelo Lage (segundo da dir. para a esq.) fala sobre empreendimento que utiliza tecnologia dos pré-fabricados: “mercado precisa estar mais propenso a riscos”

Lage também salientou que as incorporadoras e construtoras precisam acreditar nas inovações e ampliar o apetite a riscos. “Os nossos corretores tinham mais medo de oferecer o produto do que os clientes de aceitá-lo”, exemplificou. “É preciso ter coragem de parar de fazer as mesmas coisas e começar a pensar e fazer diferente”, reforçou Caio Bonatto.

Para Saulo Suassuna Filho, o conservadorismo, embora prejudicial, tem fundamento: “A máxima da inovação é você testar, errar, errar de novo, aperfeiçoar e persistir nesse ciclo; a máxima da incorporação é totalmente o contrário: ‘Quem já fez? Quero ver outro fazer e, se der tudo certo, eu faço’”. Para ele, a mudança do mindset é essencial para o setor se inovar.

O painel reservou um tempo para perguntas da audiência, que dentre outros assuntos questionou a durabilidade dos pré-fabricados, os prazos de garantia dos projetos e as expectativas da inovação no mercado em um futuro próximo.

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