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Mercado em baixa: hora certa de adquirir terrenos para incorporação?

Líderes de incorporadoras e construtoras comentam estratégias utilizadas durante a crise

20/04/2020
Por Daniel Caravetti

A recessão decorrente da disseminação do novo coronavírus está longe de ser positiva para o mercado imobiliário, que teve a sua retomada interrompida e ainda não conta com uma real expectativa de normalização dos negócios. No ano passado, a construção civil cresceu pela primeira vez em cinco anos e a projeção de alta do PIB (Produto Interno Bruto) do setor chegou a ser de 3% para 2020, de acordo com o Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil).

Já parece uma certeza que tal projeção não será atingida e que o PIB do setor recuará neste ano, assim como o do Brasil. Isso porque, em momentos de incerteza e instabilidade econômica, é comum ver grande parte das empresas e pessoas físicas minimizando gastos e retendo dinheiro, o que dificulta os mais variados tipos de comercialização, incluindo a venda de imóveis.

Entretanto, para aqueles que buscam oportunidades e contam com caixa na crise, a vulnerabilidade econômica e a queda na demanda podem significar baixos preços no mercado, favorecendo a compra. No caso das incorporadoras e construtoras com excedente de caixa, pode ser a hora de adquirir terrenos. 

De acordo com Joseph Nigri, presidente da Tecnisa, em entrevista à CNN Brasil, a empresa tem conseguido encontrar terrenos com preços 15% menores e também tem melhorado as condições de pagamento nas mesas de negociação. A fim de manter a saúde financeira, a incorporadora assina contratos com vendedores de terrenos, mas os pagamentos precisam ter cláusula de aprovação do conselho de administração.

Guilherme Werner, sócio-consultor da Brain, empresa de pesquisa e consultoria para o mercado imobiliário, confirma a movimentação no setor em busca de oportunidades, destacando companhias de capital aberto, com solvência em caixa, além de outras que não interromperam negociações para formação de um land bank

“Em São Paulo, por exemplo, onde os terrenos valorizaram mais de 20% desde o início de 2019, os valores não devem subir mais. Hoje, a viabilidade pode ser trabalhada tendo em vista melhores negócios. Quem tem dinheiro em caixa, pode comprar”, diz.

“Acreditamos que também se pode usar o momento sabático para desenvolver produtos de qualidade. Inclusive, será melhor do que há dois meses, quando o ritmo estava acelerado e não havia como despender tempo em detalhes”, completa Werner.

Qual a posição de outras incorporadoras?

Segundo o CEO Joe Khzouz, a incorporadora e construtora paulistana BKO aumentou a aquisição de terrenos: “Já tínhamos algumas negociações em andamento e estamos dando sequência a elas. Queremos nos posicionar em relação à compra dos ativos para estarmos prontos para um novo momento”, afirma em entrevista à Smartus

Mesmo assim, o executivo acredita que analisar boas chances de negócio será uma tarefa difícil no cenário atual: “Novas áreas podem trazer oportunidades por conta da falta de liquidez do mercado, mas não é fácil quantificá-las neste momento”.

A BKO revela ainda o que tem feito durante esse período, no qual interrompeu os lançamentos, mas deu sequência às obras com cuidados referentes a questões de higiene e controle, somente com colaboradores fora dos grupos de risco. 

“Estamos aproveitando para evoluir no atendimento online, via videoconferência. Atualmente, já disponibilizamos apartamentos decorados através de tour virtual, link com arquivo 3D, filmagens de drone e fazemos assinatura digital do contrato. Ainda queremos flexibilizar as formas de pagamento para aquisição de um imóvel, que hoje é uma das formas mais seguras de fazer investimento”, cita Khzouz.

“Além disso, a gestão da empresa está aproveitando para repensar tudo: forma de trabalho, processos, pessoas e produtos. Certamente, o mercado imobiliário será diferente após essa crise”, completa.

Em compensação, para a construtora Cury, a incerteza atual exige cautela na tomada de decisões e a compra de terrenos está longe de ser uma meta. A companhia opta por uma estratégia mais segura, focando em se manter bem consolidada após a crise.

“Não seríamos tão ousados em falar sobre compra de terrenos, é hora de sobreviver, de passar pela tempestade. Se a situação terminar logo, temos uma posição de caixa boa e obviamente vamos atrás de oportunidades, mas sem fazer loucuras. Afinal, ninguém sabe quanto vai durar”, diz o diretor Ronaldo Cury, em entrevista à Smartus.

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