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Juros atrelados ao IPCA vão reduzir taxas entre 28% e 31,5% no crédito imobiliário

Medida visa facilitar securitização da carteira da Caixa e aumentar financiamentos

19/7/19

A Caixa vai mudar o indexador que corrige os empréstimos realizados pelo banco para compra e construção de imóveis, atrelando os juros ao IPCA (inflação) – atualmente, os contratos são indexados à Taxa Referencial, indicador definido pelo Banco Central (BC). A instituição aguarda autorização do BC para anunciar a mudança.

Se autorizada, a medida vai reduzir entre 28% e 31,5% os juros para os tomadores de empréstimos. Os maiores descontos serão para clientes do banco com bom histórico de pagamento. O novo indexador valerá apenas para novos contratos e não será possível migrar de um modelo para o outro.

A ideia do banco é facilitar a securitização de sua carteira de crédito, pois contratos atrelados ao IPCA despertam maior interesse de investidores – por se tratar de um indicador utilizado pelo mercado. Dessa forma, a Caixa antecipa os recebíveis e consegue aumentar a quantidade de financiamentos imobiliários.

A fim de evitar calotes e atrair o interesse das securitizadoras, o banco estatal anunciou que somente serão securitizados financiamentos com baixo índice de inadimplência; contratos do programa Minha Casa, Minha Vida devem ser excluídos da prática.

Quando assumiu a presidência da Caixa, em janeiro, Pedro Guimarães anunciou os planos de arrecadar R$ 100 bilhões com a emissão de títulos lastreados em financiamentos imobiliários, sendo 10% ainda este ano. Com a medida, o banco projeta dobrar sua carteira de crédito habitacional, aproximando-se dos R$ 900 bilhões. A Caixa responde por 70% do mercado.

O motivo da redução dos juros

Embora a Taxa Referencial esteja zerada atualmente, a Caixa cobra um encargo adicional que varia entre 8,5% e 9,75%, após a redução anunciada no início do mês passado. Com os contratos atrelados ao IPCA, o banco vai reduzir essa tarifa para algo entre 2% e 3%. Como a inflação projetada para 2019 é de 3,82%, segundo o IBGE, os juros serão no máximo de 6,82%.

Mesmo que obtenha menos lucros com os empréstimos, a medida é positiva porque movimenta o setor da construção civil, um dos mais importantes para aquecer a economia. Na prática, o banco deve ganhar na maior quantidade de financiamentos realizados.

Crédito da imagem: G1

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