Índice de Preços Imobiliários confirma nova queda real, apesar de valorização nominal

Indicador variou 0,64% no ano passado, abaixo da inflação no período

12/2/19

O Índice Geral de Preços Imobiliários – Comercial (IGMI-R) apresentou variação positiva de 0,64% no ano passado, interrompendo uma série de três anos consecutivos de desvalorização – quedas de 0,2%, 2,26% e 0,6% entre 2015 e 2017, respectivamente. Ainda assim, o aumento nominal do valor médio de negociação representa queda real, pois é inferior à inflação de 2018 (3,75%).

O indicador leva em conta os preços de compra e venda de imóveis comercializados por meio de financiamento em dez capitais brasileiras – Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo – e é realizado conjuntamente pela ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) e FGV (Fundação Getúlio Vargas).

A ABECIP destaca que “apesar da tendência de estancamento nas quedas dos preços nominais observada na maioria das capitais, uma recuperação mais forte, capaz de impactar os preços reais, está condicionada a alguns fundamentos”, dentre os quais destaca as reformas na esfera política que podem acelerar “a retomada da atividade econômica”.

A publicação também ressalta que no ano passado somente duas capitais dentre as dez analisadas sofreram redução nominal nos preços – Rio de Janeiro (-1,49%) e Recife (-0,22%) – e que “os índices de preço ao consumidor terminaram o ano em patamares reduzidos”, mesmo assim superiores à valorização imobiliária.

Os maiores aumentos nominais aconteceram em Salvador (1,33%), São Paulo e Fortaleza (1,31%), mas ainda bem distantes de acompanhar a inflação do período. Ou seja, mesmo nos melhores cenários houve desvalorização real no setor imobiliário. Em reportagem da Smartus produzida em dezembro, com dados preliminares, essa realidade já era projetada.

“Por mais que haja anseio do mercado imobiliário para que os imóveis se valorizem, existe um desequilíbrio entre oferta e demanda (excedente de oferta) que impede a elevação dos preços”, acrescenta o diretor executivo da Smartus, Guilherme de Mauro, que esboça cenário semelhante ao longo dos próximos meses.

Nos últimos quatro anos, apenas Fortaleza e Goiânia conseguiram oscilação nominal positiva. Mesmo com a melhora do cenário no ano passado, as outras oito capitais analisadas ou mantiveram os preços desde 2015 – caso de São Paulo – ou sofreram redução no valor médio dos imóveis negociados.

Na prática, isso significa que na capital paulista, por exemplo, um imóvel que no início de 2015 era vendido por R$ 500 mil continua valendo os mesmos R$ 500 mil atualmente.

Crédito: Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro

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