Receba nossos conteúdos exclusivos!

O melhor conteúdo sobre o mercado imobiliário para você ficar por dentro de tudo o que acontece no setor!

N
Notícias

Ilesos no 2º tri, escritórios terão prova de fogo a partir de agora

Vacância será maior a partir de julho; retomada deve ocorrer em até 24 meses

25/06/2020
Por Henrique Cisman

O mercado de lajes corporativas terá pela frente meses complicados devido à situação econômica causada pela pandemia do novo coronavírus. Passados três meses desde o início da quarentena, o cenário começa a ficar mais claro para inquilinos e proprietários de escritórios em relação ao futuro dos negócios.

“Devido à incerteza de todas as partes envolvidas, o que foi feito pelo prazo de 90 dias – que agora está chegando ao fim – são concessões, descontos, carências; cada proprietário adotou uma prática para seu modelo de negócio a fim de atender o inquilino, que ficou impossibilitado de frequentar o escritório e teve queda na receita. Em um primeiro momento, o mercado andou de lado. Daqui para frente, vamos ver em números a realidade”, afirma Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLa Brasil. 

Isso explica porque as lajes corporativas praticamente não sofreram com devoluções no 2º trimestre. Os números ainda não estão fechados, mas segundo Nicastro, o aumento da taxa de vacância deve ser de 1% em São Paulo e no Rio de Janeiro. “As decisões foram postergadas para o 2º semestre. Vamos ver em números a partir do terceiro e quarto trimestres”, completa o executivo. 

Baixo volume de entregas e contratos longos

Ainda que haja um movimento de devoluções, Nicastro entende que o impacto será muito menor devido à baixa oferta de novos empreendimentos. “É a primeira vez que eu vejo o mercado imobiliário comercial brasileiro entrar em uma crise no tempo certo. Em 2016, havia uma recessão econômica, alta de desemprego e excesso de entrega. O que muda: o excesso de entrega. Quando as devoluções vêm junto com novas entregas, as taxas de vacância sobem drasticamente”, explica.

O CEO da SiiLa ressalta outro ponto que deve segurar a vacância: “Em 2016 e 2017, os proprietários fizeram muito esforço para atrair inquilinos, condições como 12 meses de carência, pagamento da mudança e até da mobília etc., e isso entra na conta agora. O inquilino fez um contrato de dez anos, com um ano de carência; se devolver agora, a multa é muito mais alta do que se permanecer no contrato”.

Mesmo assim, espera-se aumento das taxas a partir do 3º trimestre e ao longo de 2021. “Tem muita empresa estudando devolução para daqui alguns meses; tem aviso prévio, tirar a mobília, pintar, entregar. Não tenho dúvida de que com o passar dos trimestres, é natural que a taxa aumente em todas as praças”, revela.

Com exceção de Campinas, todas as cidades monitoradas pela SiiLa vinham num movimento de redução da taxa de vacância na comparação entre o último trimestre de 2019 e o primeiro trimestre de 2020. Em São Paulo, a taxa de ocupação nos escritórios A+ e A superou os 85% entre janeiro e março. Em Brasília, a vacância foi inferior a 14%. Já no Rio de Janeiro, onde a retomada ainda não era realidade, a vacância estava em 31,99%, patamar mantido no 2º trimestre. Confira a seguir números de São Paulo, por região e total.

Em alguns bairros de São Paulo, como Itaim Bibi e Jardins, taxa de ocupação é de 100%. Dados: SiiLa Brasil

Problema é macroeconomia, e não home office

Na avaliação de Nicastro, o principal problema é macroeconômico: “Não se trata somente do novo modelo de trabalho, isso é uma leitura simplista. O fato é que empresas estão quebrando sem conseguir suportar gastos. O PIB está caindo e existe uma relação muito forte do PIB com a taxa de absorção: quando ele cai, a absorção é negativa, existem as devoluções”.

De agora em diante, deve haver um mix entre home office e escritório, como já é comum nos Estados Unidos. Outra tendência lembrada pelo executivo é a descentralização dos escritórios, fator que deve favorecer os coworkings: “Ao invés de ter um escritório na Avenida Paulista, por exemplo, a empresa vai ter várias unidades em diferentes regiões de modo que fique mais perto para o funcionário”.

Sobre os coworkings, os impactos foram enormes desde que começou o isolamento social, mas Nicastro aposta que eles serão novamente a solução para muitas empresas, assim como na última recessão econômica, quando se popularizaram. “A vantagem do coworking é ter todas as facilidades pagando menos; dilui risco e tem bons endereços. Se a empresa precisa reduzir o escritório e não quer ter um custo fixo alto, para onde vai? Para o coworking”. 

Em relação à retomada aos níveis observados no 1º trimestre, ela não deve ocorrer antes de um período entre 18 e 24 meses, segundo o CEO da SiiLa Brasil: “Quem ocupa escritório é funcionário: se houver desemprego, não tem como recuperar. Acho que não vai ser um buraco como da última crise, mas pra chegar [nos patamares] pré-Covid-19, vai de 18 a 24 meses, um palpite”. 

Leia também: 5 tendências que a pandemia inseriu no mercado residencial
Segundo presidente de associação, setor hoteleiro está “à beira da falência”

Para mais informações e acesso a conteúdos exclusivos, siga-nos em nossas redes sociais:

leia também
Para Mais conteúdo exclusivo, siga nossas redes!
DESIGN & CODE BY Mobme