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Construções em container ganham força no ramo hoteleiro

Projetos se destacam pela sustentabilidade e rapidez na execução das obras

21/01/2020
Por Daniel Caravetti

Em um mercado no qual consumidores valorizam cada vez mais práticas sustentáveis, empreendedores são desafiados a se preocupar com esse conceito sem deixar de lado a modernidade e a inovação. Uma técnica que procura atender a todos os requisitos são as construções em container, que vêm sendo destaque no segmento hoteleiro ao proporcionar uma hospedagem diferente e com preço mais acessível.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Harvard analisou a performance de empresas de diversos setores, portes e estruturas de capital atuando em prol da sustentabilidade no universo corporativo. O estudo garante que 90 empresas que se preocuparam com meio ambiente e desenvolveram ações sustentáveis em um período de 18 anos apresentaram, em média, o dobro da rentabilidade e aproximadamente 27% maior valorização de patrimônio.

Sustentabilidade

Nesse sentido, tais hotéis se destacam pela reutilização dos containers, tradicionalmente utilizados para realizar o transporte de grandes cargas. Isso porque, com o alto custo na devolução de containers vazios, muitos deles passaram a ser descartados pelas empresas próximos a estações de trem. Portanto, tal módulo que seria descartado no meio ambiente passou a ter nova utilidade.

De acordo com material produzido pela Lafaete, empresa que fornece módulos habitacionais em container para a engenharia civil, existe outra vantagem para o meio ambiente: como tais construções requerem pontos de apoio no chão, mais conhecidos como sapatas, o solo consegue se manter permeável em até 90%. Dessa maneira, a geografia e a topografia do terreno em uso são preservadas. 

A companhia, em parceria com a rede de hotelaria Samba Hotéis, vem executando o projeto Samba In the Box, de hotéis em containers. A primeira unidade foi inaugurada no primeiro semestre de 2019, em Itabirito (MG), e conta com 16 quartos, no estilo tradicional e no estilo hostel, com quartos coletivos. 

Faixada do Samba In the Box (Foto: Samba Hotéis)

Outras vantagens

O custo do Samba In the Box foi 65% menor do que de um hotel convencional, segundo a Lafaete. Isso ocorre uma vez que as construções em container são a seco, ou seja, exigem gastos mínimos com a quantidade utilizada de água, cimento, areia, pedras e tijolos. Além disso, como não há necessidade de realizar serviços como terraplanagem e fundação da edificação, mais despesas são reduzidas.

Com as estruturas já prontas, as obras se tornam mais ágeis, exigindo apenas a composição dos ambientes com auxílio de caminhões e máquinas da construção civil. Os containers também permitem uma praticidade e versatilidade no manuseio, afinal, as unidades podem ser montadas, desmontadas e acopladas a outro módulo habitacional, permitindo a expansão dos cômodos. 

Vale lembrar que os containers utilizados como módulo habitacional na arquitetura devem passar por um tratamento de limpeza, serralheria, pintura e revestimentos térmico e acústico. Tais procedimentos garantem maior durabilidade e resistência às construções, oferecendo mais segurança aos futuros funcionários e hóspedes do hotel.

Outra vantagem proporcionada pelos containers é a fácil personalização, com diferentes possibilidades de encaixe entre eles. Nesse sentido, arquitetos podem abusar da criatividade e destacar o seu projeto dos concorrentes. No ramo hoteleiro brasileiro, um dos destaques nesse quesito é o Tetris Container Hostel, em Foz do Iguaçu (PR). O próprio nome faz referência ao jogo em que diferentes peças são encaixadas.

Tetris Container Hostel (Foto: Divulgação)

Em entrevista à Smartus, Carlos Salamanca, um dos arquitetos do Tetris, ao lado de  Karin Nisiide, comenta a possibilidade de personalização dos containers: “Existe uma grande mobilidade, mas também limitada às dimensões do container. A facilidade é que você tem um módulo pronto, o que minimiza reformas e facilita as adaptações internas, como instalações hidráulicas e elétricas, algo muito importante em uma construção voltada para hotelaria”.

Quanto às dificuldades, Salamanca destaca a climatização: “Esse é o maior cuidado que se deve ter ao utilizar containers para um hotel, afinal, o cliente deve estar confortável. Fato é que a troca de calor entre ambientes interno e externo é mais intensa e pode, inclusive, acabar gerando uma condensação de água entre as camadas. Isso deve ser olhado com cautela na instalação e na manutenção”.

Em relação à sustentabilidade do projeto, o arquiteto entende que o público de um hotel não convencional busca realmente por experiências diferentes: “As pessoas hoje exigem isso mais do que nunca. Não digo somente da sustentabilidade, mas projetos coerentes com aquilo que querem atingir. Acredito que fomos muito assertivos nisso, tanto que o próprio Tetris promove essa interação entre os clientes”.

“O modo de consumo está mudando, não só para hospedagem, mas também para alimentação, no carro, no dia a dia. A relação do Tetris com isso é muito bem definida, até porque é sustentável em diversos outros aspectos”, completa. Além da reutilização de container, o local conta com aquecimento solar, telhado verde, móveis reciclados, uso de água de chuva, sistema próprio de tratamento de efluentes etc.

Carlos Salamanca, fundador da Salamanca Arquitetos, ainda garante que seguirá atuando com containers no ramo hoteleiro: “Já projetamos outro hotel, mas ainda não saiu do papel. Queremos multiplicá-lo em grande escala, como uma rede de franquias. A verdade é que os containers oferecem tecnologia, adaptação e por dentro têm a aplicabilidade e o uso convencional. A rapidez nas obras também surpreende. Levantamos a obra do Tetris, de 550 m², com 15 containers, em quatro dias”.

Vale lembrar que, atualmente, hotéis construídos a base de containers não são exclusividade dos municípios de Itabirito e Foz do Iguaçu. A técnica vem ganhando força no mercado hoteleiro e tem se propagado pelo Brasil, com destaque para Santa Catarina. Confira outros projetos presentes na galeria abaixo.

 

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Foto: Live Learn Nona

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