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Atividade na indústria da construção atinge maior patamar desde 2011

Economista da FGV destaca o papel do mercado imobiliário residencial na retomada

Daniel Caravetti

25/09/2020

De acordo com a Sondagem da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a atividade na indústria da construção civil voltou a crescer em agosto, atingindo 51,4 pontos, maior patamar desde junho de 2011. O resultado mostra a recuperação do setor diante da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, visto que no comparativo com abril houve aumento de 22 pontos, ou 74%. Já em relação ao mês anterior, a alta foi de 3,3 pontos. 

Elaboração: CBIC/CNI

Quanto à utilização da capacidade operacional, a construção atingiu 60% em agosto, voltando aos níveis pré-pandemia. O percentual passou em 2 pontos percentuais o mesmo mês de 2019, se igualou a julho de 2018 e superou o valor registrado entre 2015 e 2017. Vale lembrar que, neste ano, o valor mais baixo foi de 50%, em abril – considerado o “fundo do poço”.

Expectativa e investimentos

A pesquisa também indica que a perspectiva para o futuro do setor é positiva. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI-Construção) apresentou a quinta alta mensal consecutiva, desta vez de 2,7 pontos. Com elevação acumulada de 21,9 pontos desde abril, o indicador chegou a 56,7 pontos em setembro, sendo que os valores acima de 50 demonstram otimismo por parte dos executivos.

É importante ressaltar que o ICEI-Construção é composto pelo Indicador de Expectativa, que aumentou 1,7 ponto, e o Indicador de Condições Atuais, que cresceu 4,6 pontos. De acordo com a CNI, o primeiro deles, que chegou a 46,1 pontos, “mostra que o empresário ainda percebe o impacto da crise em suas condições de negócios”, enquanto o segundo, que alcançou 62 pontos, mostra o “otimismo disseminado pela indústria da construção”.

O estudo ainda mostra que os investidores estão cada vez mais seguros a investir na construção civil. A intenção de investimento no setor alcançou 44,4 pontos em agosto, aumento de 4,9 pontos em relação a julho. Esta foi a quarta alta consecutiva do indicador, que já atingiu o patamar de fevereiro, pré-pandemia.

Elaboração: CBIC/CNI

Panorama da construção

Outra pesquisa de mesmo nome, a Sondagem da Construção do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostra um panorama semelhante do setor, como explica a coordenadora de Projetos da Construção, Ana Maria Castelo.

“Confirma essa tendência de melhora generalizada, com a construção praticamente recuperando o patamar pré-pandemia. Após um grande impacto inicial nos negócios, a curva de aprendizado das empresas em relação aos protocolos, assim como a flexibilização da quarentena, tem acelerado a retomada e refletido nos indicadores de atividade”, diz em entrevista à Smartus.

“Esse contexto mais positivo tem contribuído com o otimismo por parte dos empresários e investidores. Mesmo que ainda haja muita incerteza sobre a sustentação desse ritmo de retomada, a construção tem a seu favor os ciclos produtivos mais longos, que sustentam a atividade por um período maior”, completa.

Vale lembrar que o estudo da FGV contém uma relação sobre os vetores que atuam contra a retomada da construção, baseada na opinião de players do setor. Veja o gráfico abaixo, que indica melhora no quesito de demanda, mas problemas quanto à recente alta no preços dos insumos.

Elaboração: IBRE/FGV

Papel do mercado imobiliário residencial

Ainda que o cenário geral seja de retomada, Castelo lembra que a construção tem se recuperado em diferentes ritmos de acordo com cada segmento. Neste sentido, destaca positivamente o ramo residencial, que “já superou o patamar pré-pandemia” e representa boa parte do otimismo revelado nas pesquisas.

“Este nicho tem surpreendido, trazendo confiança para empresários e investidores que lidam com construção e incorporação residencial. O segmento está sendo impulsionado pela oferta de crédito mais barato e a atratividade em renda variável.  Esses dois elementos favorecem a compra dos imóveis, seja por investidores ou por famílias”, afirma.

Quanto à relação entre a compra de imóveis residenciais para investir ou para morar, a economista da FGV garante que não é possível assegurar o perfil do adquirente. No entanto, ressalta que a situação econômica crítica e a instabilidade de emprego podem ser objeções de compra para as famílias, até por se tratar de um compromisso de longo prazo.

Analisando a conjuntura da situação, portanto, Castelo entende que provavelmente a participação dos investidores é maior nessa retomada do mercado imobiliário residencial, segmento que manteve a quantidade de imóveis vendidos, mesmo em meio à quarentena.

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