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Notícias

Prejuízo para administradoras de shoppings é de R$ 25 bi

Mais de 30% das unidades permanecem fechadas; associação pede urgência em linhas de crédito

Henrique Cisman

07/07/2020

Passados mais de 100 dias desde que começaram as políticas de quarentena em todo o país, mais de 30% dos shoppings permaneciam fechados até a última sexta-feira (3), segundo levantamento da Smartus junto à Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). Dos 577 estabelecimentos, apenas 387 (67%) reabriram e mantiveram funcionamento até o fim da última semana. 

“A maior concentração está no Estado de São Paulo, com 143 shoppings [reabertos]. Temos visto medidas mais rígidas devido ao avanço da Covid-19 nos municípios. Vale ressaltar que os shoppings seguem um dos protocolos mais rígidos do país para a retomada. São mais de 20 medidas de prevenção e cuidado com a saúde de toda a cadeia”, afirma nota da Abrasce enviada à Smartus.

De acordo com a associação, o prejuízo até o momento é de R$ 25 bilhões para as administradoras dos shoppings. “Estamos preparados para operar com segurança aos funcionários, lojistas e frequentadores, pois jamais colocaríamos em risco a saúde e a vida das pessoas que trabalham e frequentam nossos shoppings e os veem como ambientes seguros”, pontua a nota.

Apesar de todos os protocolos, em algumas cidades os shoppings reabriram no início de junho, mas tiveram que fechar novamente as portas no decorrer do mês em atendimento a decretos municipais. São os casos de Campinas, Florianópolis e Porto Alegre, dentre outros.

De acordo com uma fonte da rede Iguatemi, as unidades seguiam o protocolo definido junto à Abrasce, como aferição de temperatura na entrada, reforço da limpeza interna e distanciamento entre os consumidores, como espaço de três degraus nas escadas rolantes. Ainda, a limitação de frequentadores era de 20% da capacidade total.

Até a última quinta-feira (2), a Ancar Ivanhoe permanecia com 5 dentre suas 24 unidades fechadas. “Quatro unidades tiveram que fechar após a reabertura, mas estamos atentos para as possíveis mudanças e nos preparando para uma nova retomada”, afirma nota enviada pela administradora à Smartus.

Descontos e isenções

Segundo a Abrasce, são mais de 105 mil lojas em shoppings de todo o Brasil. “[As administradoras] têm feito diversas negociações para saúde e manutenção dos negócios”, afirma a associação. Até o momento, foram R$ 3,5 bilhões em adiamento e suspensão dos pagamentos dos lojistas. “Com isso, conseguimos reter grande parte [dos contratos] e a média de fechamento está abaixo de 10%, o que é positivo, visto o cenário econômico crítico em que todos nós nos encontramos”, completa a Abrasce.

No Iguatemi, a vacância antes da pandemia na média das 16 lojas ficava entre 3% e 4%, segundo a fonte ouvida pela Smartus. “Obviamente que houve uma perda enorme e isso vai ser sentido nos resultados do 2º trimestre, mas não temos a informação do lojista se vai devolver ou não, então não dá para estimar a vacância, se 10%, se 15%”. Ainda segundo a fonte, a rede vai manter as políticas de descontos.

Segundo a assessoria da Ancar Ivanhoe, a empresa está acelerando investimentos na estratégia multicanal dos shoppings e adotou, logo no primeiro momento, “diversas concessões aos lojistas nas cobranças de condomínio, fundo de promoção e isenções de aluguel”. 

A Abrasce informa que entre 2 de março e 28 de junho houve queda acumulada das vendas de 67,6%. “Porém, já se observa uma desaceleração na queda semana a semana, principalmente nas regiões que iniciaram a retomada primeiro, de forma gradual e em segurança. Na média, as vendas sobem entre 1 p.p. e 2 p.p. a cada semana no que diz respeito ao resultado acumulado do período, o que mostra que, apesar de não estarmos em um cenário ideal, temos conseguido nos movimentar”.

Crédito e estratégias

Segundo a associação, é urgente o avanço de linhas de crédito para o segmento. “Depois de 90 dias fechados, não há quem aguente mais muito tempo. É preciso que as autoridades e órgãos públicos entrem em concordância para avançarmos, não dá mais para esperar, o crédito tem que chegar na ponta. A instabilidade afeta os empreendimentos, os lojistas, o consumidor e a sociedade em geral. São milhões de empregos em jogo”, clama a entidade.

A Ancar Ivanhoe aposta na diversificação de canais para realização das vendas. “Nos últimos dois meses, implementamos projetos previstos para os próximos dois anos, como delivery, drive-thru e e-lockers (retire aqui), diversificando os canais de entrega do lojista”, afirma comunicado da empresa enviado à Smartus.

“Para consolidar os shoppings como uma verdadeira plataforma de venda O2O (Online to Offline), temos feito ainda diversas parcerias com diferentes marketplaces. Dentre a lista de parceiros está Amazon, B2W, ZapCommerce, Napp Solutions, entre outros. O objetivo é levar os produtos dos lojistas para além dos muros do shopping para que a venda continue a acontecer e atender a um novo comportamento do consumidor, que agora fica ainda mais digital”, completa.

O Iguatemi segue com projetos de expansão, como as obras na torre comercial do Galleria Shopping, em Campinas, que continuam mesmo após a pandemia. “Sobre novas praças, analisamos os projetos, mas não há perspectiva de uma nova unidade”, afirmou uma fonte da rede.

De acordo com a Abrasce, no início do ano havia uma previsão de 15 inaugurações em todo o país. “Certamente não chegaremos a esse número por conta do cenário de pandemia, mas é cedo para fazer projeções. Há muitas incertezas e instabilidade política e econômica que impactam diretamente no avanço do setor”.

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