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O ecossistema tecnológico para o futuro da construção

Ao pensar construtoras como empresas de tecnologia que constroem, valorizamos o poder dos dados na tomada de decisão

17/9/19

Por Fabrício Schveitzer, diretor de ecossistemas do Sienge – Softplan

O mundo dos negócios tem passado por profundas, intensas e cada vez mais rápidas transformações. Mesmo a construção civil, um setor onde a transformação vem de forma mais lenta e gradual, tem visto novidades surgirem em todos os aspectos do negócio.

Qualquer pesquisa rápida mostra que há novas tecnologias disponíveis para as fases de prospecção de terrenos, avaliação de viabilidade, desenvolvimento de produto, projetos, execução, comunicação entre a obra e o canteiro, gestão de vendas e muito outros. Apenas no Brasil, há mais de 500 startups dedicadas ao setor de construção e de mercado imobiliário – as construtechs e proptechs.

Face a essa realidade, a empresa que não estiver se movimentando para adaptar seu modelo de negócios possivelmente enfrentará problemas de performance no curto prazo. No longo prazo, então, nem se fala. É fato que ninguém está imune à dinâmica do mercado e da inovação, incluindo as empresas de tecnologia, como o Sienge.

Minha intenção é contar um pouco sobre as transformações pelas quais o Sienge vem passando para se manter como o mais relevante ERP da indústria da construção no Brasil. Temos passado por uma série de adequações internas em relação à tecnologia, mas principalmente referentes ao nosso mindset enquanto player de mercado.

Antes disso, no entanto, é importante contextualizar o momento pelo qual o setor da construção está passando.

Mercado pulverizado

Desde a análise de viabilidade até a operação e demolição ao fim da vida útil, uma edificação é resultado de trabalho interdisciplinar. Numa situação ideal, os mais diversos profissionais envolvidos atuariam conjuntamente ao longo do desenvolvimento de projetos e da execução. Ou seja, com troca contínua e estruturada de dados, informações e alinhamento de processos.

Entretanto, a construção civil está muito longe disso. O setor ainda é muito fragmentado e regionalizado. A interação entre as etapas da cadeia construtiva é em grande parte desconexa, característica que explica em boa parte os constantes atrasos nos prazos das obras.

Os dados indicam desperdício de materiais na casa dos 8% e financeiros com retrabalhos próximos de 30%. No mundo todo e, principalmente, no Brasil, o setor de construção enfrenta severos desafios de produtividade. Esse diagnóstico é, também, consequência da pulverização.

As empresas acabam por enfrentar cada vez mais obstáculos na comunicação com os demais players. O resultado não poderia ser outro que não ainda mais fragmentação e dificuldades de entendimento do mercado. Assim, qualquer iniciativa de integração minimamente bem-sucedida vira case de estudo em eventos e artigos.

Mudança estratégica de foco

Por muito tempo, empresas de todos os setores se fecharam em si mesmas como detentoras exclusivas do conhecimento sobre o que o cliente deseja. Desenvolviam e colocavam produtos no mercado e os clientes eram apenas a ponta final do processo.

Isso já não funciona mais em grande parte dos casos. O acesso à informação e a possibilidade de expressar opinião nas redes sociais deu voz aos consumidores. Com isso, há algum tempo as empresas têm repensado quais os “jobs to be done”. Ou seja, quais são, efetivamente, os benefícios percebidos pelos clientes ao consumir um bem ou serviço? Logo, direta ou indiretamente, os consumidores participam do desenvolvimento dos produtos e serviços que adquirem.

Em alguns casos, o viés do marketing é mais relevante. Uma empresa automobilística afirmar que vende aventura ou uma fabricante de refrigerantes apelar para a felicidade engarrafada são exemplos disso. Em outras situações, no entanto, é preciso promover uma transformação mais profunda na forma de fazer negócios.

Não tenho dúvidas de que este é o caso da construção civil. Afinal, mudar apenas a forma de as empresas se comunicarem com o público não irá promover a integração da cadeia.

Devido, entre outros motivos, à complexidade do negócio, aos longos ciclos produtivos e às margens apertadas, a construção é um setor menos propenso a mudanças. Uma vez que os players da indústria concorrem naturalmente entre si, seria pouco provável que iniciativas de integração partissem dessa etapa da cadeia.

As construtoras, por sua vez, na ponta final da cadeia, poderiam se tornar agentes da integração mediante seu poder de compra. O problema é que elas se veem, em muitos casos, entre a retração econômica que mina recursos e a forte aceleração que consome toda a energia operacional. Em ambos os casos, seja porque não há dinheiro ou porque o fluxo de caixa camufla ineficiências operacionais, a inovação nos processos e a integração entre os players não é prioridade.

De qualquer maneira, é preciso que também estas empresas repensem quais são seus jobs to be done. Será que são empresas que têm como único foco o produto imobiliário em si ou podem vir a se posicionar como empresas de tecnologia que, dotadas de dados e inteligência de mercado e capacidade de processamento, constroem?

Nesse contexto, o Sienge enxergou a oportunidade de promover a criação de um ecossistema baseado num novo entendimento sobre concorrência e integração setorial.

O conceito de ecossistema

A premissa por trás desta iniciativa reside no entendimento de que um ERP ou um CRM não são meros recursos operacionais dentro de uma empresa, seja ela de qual setor for. São sistemas complexos e que integram uma infinidade de frentes de atividade dentro de uma companhia, com um volume inimaginável de dados. Logo, precisam ser atores de inteligência estratégica.

Para que isso aconteça, é preciso que as empresas responsáveis pelo seu desenvolvimento também amadureçam suas visões. Ou seja, que entendam que seu papel não é o de – necessariamente – prover todas as soluções para seus clientes. Mais do que isso, deveriam atuar como sistemas one stop shop, a partir do qual seus usuários tenham acesso a outras soluções. Estas, desenvolvidas e oferecidas por parceiros e apenas distribuídas pelo ERP.

Mais uma vez, o conceito de concorrência é colocado em xeque. Afinal, o ERP assume que não tem mais a intenção de solucionar sozinho todas as dores de seus clientes. Afinal, baseadas em custos de tecnologia decrescentes, startups têm introduzido novos serviços no mercado o tempo todo.

O foco passa a ser integrar companhias diversas para que elas, de maneira ampla, enderecem as dores dos clientes. O foco continua sendo atender o cliente ao longo de todas as suas jornadas, mas a partir da oferta conjunta de produtos complexos e serviços relacionados.

Assim como num ecossistema biológico, o objetivo é a sustentabilidade. Da mesma maneira, há interdependência entre os players e a flexibilidade se faz, mais do que nunca, necessária para sua contínua adaptação às variáveis. É preciso, inclusive, se adaptar à diversidade, pois o conceito de ecossistema pressupõe exposição a abordagens diferentes para o mesmo problema.

Dessa forma, é claro que o ERP que conta com interfaces abertas, dinâmicas e funcionais em tempo real passa a ser muito mais atrativo para as empresas que desejam integrar parceiros, tecnologias e aplicações conforme sua necessidade.

Ao assumir este posicionamento, o Sienge tem como proposta se tornar o melhor veículo de acesso para softwares e profissionais no mercado de construção brasileiro. É importante perceber, portanto, que o projeto extrapola e muito a questão tecnológica.

Não se trata apenas de permitir que empresas parceiras ofereçam seus serviços por meio de sua plataforma. Esta é, na verdade, a ponta final de um processo que tem como objetivo mudar o mindset de todo um mercado, começando dentro de casa. Estamos falando de software, evidentemente, mas sobretudo de geração e oferta de conteúdo em diversos formatos e de qualificação profissional.

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