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Crescimento do ensino à distância na pandemia afeta student living?

Segmento terá problemas no curto prazo, mas segue com muito potencial no Brasil

Daniel Caravetti

09/07/2020

Diante da pandemia do novo coronavírus, grande parte das universidades brasileiras adotou o ensino à distância (EAD) como medida de isolamento social. Como consequência, houve um movimento de desocupação de imóveis por parte de estudantes, que têm retornado a morar com as famílias na cidade de origem. 

Fatalmente, o cenário preocupa o mercado imobiliário, sobretudo no caso de cidades universitárias, ou de segmentos específicos, como o student living. Este último, também chamado de student housing, é um conceito de empreendimento de hospedagem estudantil, que trabalha, em sua maioria, no formato de locação.

Uma das empresas que atua no ramo é a Uliving, fundada em 2011. De acordo com o CEO, Juliano Antunes, uma parcela significativa de moradores realmente deixou os edifícios da empresa durante a pandemia, mas somente a minoria optou pela rescisão contratual.

“Boa parte dos estudantes voltou para a casa dos pais, mas continuou com os contratos em vigor. Outros moradores continuam nos prédios, por diferentes motivos, como compromissos de estágio, distância para a cidade de origem ou mesmo por preferência”, diz. 

“Quanto aos cancelamentos, tiveram alguns nesse período, especialmente de intercambistas, que optaram por voltar ao país de origem. Outras rescisões de contrato aconteceram após muitas faculdades públicas declararem que não haveria mais aula presencial neste ano. Em geral, não foi um impacto gigantesco”, acrescenta Antunes.

Impacto no longo prazo

Desde o início da pandemia, foram iniciadas discussões sobre quais mudanças serão provisórias e quais devem se consolidar. Uma delas diz respeito justamente ao ensino à distância, modalidade que já vinha ganhando espaço mesmo antes da Covid-19 e, em geral, oferece preços mais acessíveis para os estudantes, uma vez que reduz custos operacionais para a instituição de ensino.

O CEO da Uliving, mesmo concordando que o ensino à distância pode ser impulsionado pela pandemia, não acredita que ele será capaz de impactar o ensino presencial a ponto de influenciar na demanda por empreendimentos student living.

“Tenho conversado com muitos especialistas, principalmente da área da educação. Percebemos que nada substitui o ensino presencial, até porque frequentar uma universidade vai muito além das aulas. Ali se cria uma rede de relacionamentos, existe o contato com outras pessoas e trocas de experiências. O convívio entre os jovens é enriquecedor e muito mais intenso presencialmente”, afirma Antunes.

“Estamos passando por um período de incerteza e o ensino presencial ainda gera receios, tanto por parte das faculdades quantos por parte dos alunos. Contudo, em breve, provavelmente no início de 2021, as universidades devem retornar com as atividades presenciais, sobretudo no caso das principais instituições e dos principais cursos”, completa. 

Quarto no conceito student living (Foto: Uliving)

Outro especialista, Guilherme Werner, sócio da Brain Inteligência Estratégica, também não crê que o movimento pode alterar a demanda por imóveis desenvolvidos no conceito student living, em virtude de ser um mercado pouco explorado no Brasil até então. 

“Cerca de 30% dos universitários estudam em cidades nas quais a sua família não reside. Se existem atualmente por volta de 6 milhões de alunos matriculados na educação superior no Brasil, significa que 2 milhões precisam de um lugar para morar. É um mercado com potencial gigantesco”, diz.

Fora isso, o especialista entende que existem faculdades nas quais o ensino à distância não é eficiente, como aquelas da área da saúde, que exigem experiências presenciais e práticas. Além disso, estes cursos são mais duradouros e contam, em sua maioria, com alunos de alta renda familiar. Desse modo, Werner entende que este ramo segue sendo uma grande oportunidade de negócio.

Abrangência comercial

Para finalizar, o sócio da Brain analisa que o conceito student living, mesmo com um possível crescimento do ensino à distância, continua atrativo para os jovens, de maneira geral: “Está ligado ao compartilhamento, à uma boa localização e agenda extensa de compromissos. É um produto único onde o jovem se envolve com pessoas de uma mesma faixa etária”, diz.

Em raciocínio semelhante, Juliano Antunes, CEO da Uliving, revela uma nova estratégia comercial da empresa durante a pandemia: “Nossa campanha sempre foi bastante focada nos estudantes. Entretanto, também passamos a mirar os jovens já formados, que estão no início da sua jornada profissional”.

Foto: Uliving

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