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Construção civil tem longo caminho a percorrer, avaliam especialistas

Painel sobre eficiência operacional debateu atual momento do setor e ações que precisam ser tomadas para mudar panorama

6/6/19

A improdutividade da construção civil brasileira foi tema de um dos painéis do Smartus Proptech Summit. O objetivo do debate foi avaliar o atual momento do setor e propor ações para alterar este cenário. O painel foi formado por Flávio Picchi, presidente do Lean Institute Brasil (LIB) e professor da Unicamp, e Luiz Henrique Ferreira, fundador e CEO da Inovatech, desenvolvedora da casa 24h, com moderação de André Glogowsky, membro do conselho da HTB Engenharia.

Logo no início da discussão, Luiz Henrique Ferreira explicou o que o motivou a pensar na construção de casas em 24 horas, projeto que foi executado durante outro evento do setor, no início do ano. “A produtividade no Brasil caiu nos últimos 15 anos, a população está crescendo rapidamente e o programa Minha Casa, Minha Vida não diminuiu o déficit habitacional – pelo contrário”, afirmou.

Foram 8 meses de trabalho para desenvolver o protótipo da casa 24h e 14 parceiros envolvidos, dentre eles o Lean Institute Brasil. De acordo com Ferreira, foram 3 os pilares fundamentais para realização da iniciativa: gestão integrada, aplicação de tecnologia para uso em larga escala e offsite construction (fabricação do imóvel na indústria, fora do local onde será instalado).

Luiz Henrique Ferreira, fundador e CEO da Inovatech, explica como foi desenvolvido o projeto da casa 24h. Foto: Flávio R. Guarnieri

Além da expressiva agilidade na entrega, o modelo apresenta mais eficiência energética e ambiental, com eliminação dos resíduos de obra e diminuição do uso de água, emissão de gás carbônico e custos indiretos. “Só com refeição [para os trabalhadores], em um projeto de 500 unidades, a economia é de R$ 173 mil” destacou Ferreira.

Mudança do mindset

Flávio Picchi, presidente do LIB, disse que na jornada de 20 anos do instituto no Brasil ficou clara a necessidade de mudança no mindset dos empreendedores. “É preciso mudar a equação e agregar valor ao cliente. Mudar o sistema de gestão, o comportamento da liderança e o mindset da equipe, é uma mudança cultural”.

Em sua análise, Picchi ressaltou que apesar do histórico ruim, essa é uma grande oportunidade para as empresas do setor se tornarem referência: “Em terra de cego, quem tem um olho, é rei”, brincou. Para Ferreira, a evolução passa por encontrar parceiros de qualidade no mercado, de modo a melhorar a experiência do cliente em um trabalho feito a várias mãos.

“A indústria da construção não se fala, é uma cadeia desconectada, mas é necessário que todos façam juntos”, afirmou Ferreira. Segundo Picchi, um dos conceitos do método lean é o contrato relacional, modelo no qual se juntam todos os atores (contratantes, construtoras, projetistas etc.) para reduzir desperdícios e riscos. “Uma relação de soma, não de controvérsias”, explicou.

Painel reuniu centenas de profissionais do mercado imobiliário. Foto: Flávio R. Guarnieri

Picchi comparou a construção civil ao setor automobilístico, considerado o mais avançado em relação à eficiência, inovação e tecnologia. “Há 2 anos, fomos à fábrica da Toyota, no Japão, e vimos que se havia um problema, era corrigido na hora. Ou seja, problemas sempre acontecem, a diferença [entre um setor e outro] é de mentalidade, é necessário ter agilidade para solucionar os erros”.

Novos perfis de consumidor e profissional

Ao destacar o ganho de qualidade em um processo industrial, Ferreira afirmou que “as pessoas começam a não querer mais o método de alfaiataria”. “O consumidor está mais atento à qualidade, à durabilidade, isso vai mudar toda a cadeia”, previu. Na avaliação do CEO da Inovatech, a demanda é o que move a inovação e a proposta de melhorar a experiência do cliente é o que vai mudar o mercado.

Ferreira e Picchi também falaram sobre o novo perfil de profissional. Para o presidente do LIB, o mercado precisa de engenheiros, arquitetos e empreendedores com visão holística, de negócios, e não simplesmente técnica. Ferreira listou quatro características essenciais: saber programar e ouvir, assumir responsabilidades e ter visão empreendedora – testar, errar, aprender rápido e acertar.

Em comum entre os três participantes do painel, a constatação de que é necessário mudar completamente o modo como se está fazendo. “Depende de nós, não dos outros, e tenho certeza que a gente já avançou, mas há muito para avançar ainda” finalizou Luiz Henrique Ferreira.

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