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Caixa altera linhas de crédito para o mercado de loteamentos

Especialistas comentam mudanças nas modalidades de Lote Urbanizado e Construção Individual

Daniel Caravetti

07/08/2020

A Caixa Econômica Federal lançou uma nova linha de financiamento no Lote Urbanizado e a oferta de taxas de juros diferenciadas para modalidades de Construção Individual na segunda-feira (3). Ambas as modalidades contam com funding do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e reajuste pela Taxa Referencial (TR).

Em relação ao Lote Urbanizado, poderão ser financiados imóveis entre R$ 50 mil e R$ 1,5 milhão, com prazo para pagamento da dívida de até 240 meses. A quota de financiamento, que antes era de até 50% sobre o valor de avaliação do terreno, passa a ser de 70%, e a taxa de juros caiu de 12,5% para 8,5% + TR.

Já na modalidade aquisição de terreno + construção ou construção em terreno próprio, a taxa de juros, que antes ficava na faixa de 8%, caiu para 6,5% + TR.  Nesta linha, o limite financiado passou de 60% para 70% do valor do imóvel, e o prazo para amortização aumentou de 20 anos para 30 anos.

Quais os reflexos sobre o setor?

Em entrevista à Smartus, José Eduardo Ferreira, CEO da ITV Urbanismo, afirma que enxerga com bons olhos as mudanças apresentadas pela Caixa e acredita que elas serão fundamentais para impulsionar o mercado de loteamentos. 

“A novidade deve incentivar ainda mais as vendas de terrenos prontos. É um grande estímulo para o cidadão que sempre sonhou em financiar um lote e, agora, conta com uma entrada menor e taxas de juros mais baixas. Quanto à construção, é geralmente 30% mais econômica do que a aquisição de um imóvel pronto”, diz.

O especialista destaca que o segmento já vinha se recuperando. Segundo Ferreira, em relação ao mês anterior, junho registrou crescimento de 50% nas vendas e julho dobrou o número de negócios fechados pela ITV. 

Outra empresa do segmento, a Perplan também vem apresentando resultados positivos, como explica o diretor-presidente, Ricardo Telles, em entrevista à Smartus: “Praticamente zeramos nossos estoques de produtos prontos em todas as cidades nas quais atuamos. Nos imóveis ainda em obras, já foram comercializadas entre 70% e 80% das unidades”.

De acordo com os executivos, um dos vetores que impulsionam a recuperação do segmento é taxa Selic em baixa, o que reduz a atratividade dos investimentos em renda fixa e fortalece a aquisição de lotes como opção de investimento seguro. 

“Estão enxergando que a compra de terrenos é uma alternativa de investimento que reduz o risco de perda de valor. Recentemente, inclusive, vendemos lotes para investidores externos, por conta da desvalorização do real”, afirma Ferreira.

“Os investidores vêm deixando a renda fixa, por conta da queda dos juros, e podem escolher outras opções que não os imóveis. Os loteamentos concorrem, normalmente, com a incorporação predial e com aplicações financeiras no mercado de capitais em geral”, esclarece Telles.

O outro vetor que favorece o mercado de loteamentos é o movimento de êxodo urbano e procura por imóveis maiores que têm ocorrido durante a pandemia. Os especialistas comentam este novo perfil de consumidor, que também busca empreendimentos com áreas de lazer incluídas.

“O isolamento social despertou nas pessoas o interesse por casas com quintal, escritório para o trabalho remoto e proximidade com áreas de lazer e da natureza. Com a consolidação do home office, acredito no surgimento de mais loteamentos fora dos grandes centros porque a localização não será tão relevante como antes”, garante o CEO da ITV.

“De modo geral, os clientes passaram a ter interesse em melhorar seu padrão de vida. Na área de desenvolvimento de produtos, também estamos com projetos nos quais haja maior possibilidade de socialização. Devem ganhar força os produtos imobiliários com clubes completos e amplas áreas de lazer externo”, assegura o diretor-presidente da Perplan.

Neste sentido, Ferreira volta a ressaltar o barateamento do crédito promovido pela Caixa, que deve ajudar mais pessoas a construir imóveis espaçosos e, consequentemente, ter mais qualidade de vida.

Há como aumentar os incentivos?

No Smartus Forúm Imobiliário de Ribeirão Preto, Caio Portugal, presidente da AELO/SP (Associação das Empresas de Loteamento Urbano do Estado de São Paulo), elogiou as medidas tomadas pela Caixa, mas também ressaltou a necessidade de atualizar o financiamento à produção para incentivar ainda mais o setor.

“Estamos conversando com a Caixa para revisão do Produlote, linha de crédito criada para loteadoras e urbanizadoras há cerca de 3 anos. Ela não decolou, pois o funding, a precificação e as contragarantias eram caros”, diz.

“Além disso, temos trabalhado com Bradesco e Itaú para criar tanto linhas de financiamento de comercialização do lote e construção quanto, em um segundo momento, uma modalidade de financiamento à produção”, completa.

Fora isso, Portugal entende que, caso a Selic permaneça baixa, outros agentes financeiros devem entrar no mercado de concessão de crédito e incentivar a concorrência. Neste sentido, o presidente da AELO/SP aposta na força das fintechs.

Foto: Planet Smart City

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